A influência da profilaxia antibiótica na morbidade pós-operatória em cirurgias para colocação de implantes

Por Márcio Casati | 11 de setembro de 2017

A influência da profilaxia antibiótica na morbidade pós-operatória em cirurgias para colocação de implantes. Um ensaio clínico controlado, prospectivo, duplo cego e randomizado

Nolan RKemmoona MPolyzois IClaffey N. Clin Oral Implants Res. 2014 Feb;25(2):252-9. doi: 10.1111/clr.12124. Epub 2013 Feb 13.

 Objetivo

Um ensaio clínico controlado, prospectivo, duplo cego e randomizado foi realizado para testar o efeito da profilaxia antibiótica na morbidade pós-operatória e na osseointegração de implantes dentais.

Material e métodos

55 indivíduos que iriam receber cirurgia para colocação de implantes foram inseridos na pesquisa. Estes foram aleatoriamente designados a participar do grupo teste (antibiótico) ou controle (placebo). 27 pacientes (grupo teste) receberam 3 gramas de amoxicilina uma hora antes da cirurgia e 28 pacientes (grupo controle) receberam cápsulas placebo uma hora antes da cirurgia. Não foram prescritos antibióticos no período pós-operatório. Diários de dor e de interferência com as  atividades diárias foram entregues pelos pacientes na primeira semana  de pós-operatório. Sinais de morbidade pós-operatória (inchaço, supuração, hematomas e deiscências teciduais) foram avaliados pelo investigador principal após 2 e 7 dias da cirurgia. A osseointegração foi avaliada na cirurgia de segundo estágio ou 3 a 4 meses de pós-operatório.

Resultados

Os resultados do estudo sugerem que o uso de antibiótico profilaxia pré-operatória pode resultar taxas de sobrevivência mais alta (100% vs. 82%). 5 perdas de implantes foram observadas no grupo placebo e nenhuma no grupo antibiótico (p=0,0515). Não foram observadas diferenças na maior parte dos sinais de morbidade pós-operatória no segundo e sétimo dia de pós-operatório. Apenas a presença de hematoma aos 2 dias de pós-operatório foi pouco maior que no grupo placebo (p=0,0511). Dor pós-operatória (p=0,01) e interferência com as atividades diárias (p=0,01) foram menores no grupo antibiótico após 7 dias. Aqueles pacientes que perderam implantes tiveram mais dor após 2 dias (p=0,003) e após 7 dias (p=0,0005) quando a dor foi avaliada pela escala VAS, e, também, quando a dor foi avaliada pela quantidade de analgésicos aos 7 dias (p=0,001). Estes pacientes também tiveram mais interferência com as atividades diárias (p=0,01)

Conclusão

O uso de antibiótico profilaxia em cirurgias de implante é justificada e parece que melhora a sobrevivência dos implantes no curto prazo e também resulta em menos dor pós-operatória e interferência nas atividades diárias. Dos resultados do estudo pode-se verificar que especialmente quando a cirurgia é prolongada devido à dificuldade, ao maior número de implantes ou a inexperiência do operador a profilaxia antibiótica é benéfica.

Márcio Casati

Professor titular da Disciplina de Periodontia – Universidade Paulista (Unip); Professor associado da área de Periodontia – Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP – Unicamp).

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