Cirurgias alternativas para mandíbula posterior atrófica

Por Paulo Cesar da Cruz | 11 de setembro de 2017

Cirurgias alternativas para mandíbula posterior atrófica

Na falta de estrutura óssea adequada na região de mandíbula posterior podemos lançar mão de algumas cirurgias alternativas, como:

  • Distração Osteogênica-Processo de neoformação entre 2 blocos de osso cirurgicamente separados, onde após alguns dias é aplicada uma tração contínua, tendo como vantagens o ganho de osso em altura e o crescimento de tecido mole que acompanha o crescimento ósseo. Outra vantagem desta técnica é o curto período de espera para a implantação (cerca de 40 dias após a cirurgia de colocação do distrator). No segmento da mandíbula posterior existe o risco de lesão ao plexo dentário inferior no momento do corte ósseo e também de necrose do bloco ósseo deslocado, devido ao baixo suprimento sanguíneo. Outro fator limitante para a indicação desta técnica é a necessidade mínima de cerca de 7mm de altura de osso entre a cortical e o plexo dentário inferior, para que se possa executar a cirurgia com margem de segurança, sem lesar nenhuma estrutura vital. Na verdade essa cirurgia é mais indicada para região anterior, onde além de um ganho ósseo temos também um ganho de tecido mole, muito importante para a estética.
  • Lateralização do Nervo Alveolar Inferior-Técnica cirúrgica que consiste no acesso e deslocamento vestibular do plexo dentário inferior, para que se possa efetuar a perfuracão e instalação de implantes. Nos casos onde o dentário inferior está próximo da base da mandíbula não há indicação da técnica. Como vantagens desta técnica podemos citar: colocação dos implantes no mesmo ato cirúrgico, colocação de implantes longos e bicorticalizados, não necessita de área doadora ou qualquer material de enxertia e não necessita de nenhum aparato de fixação ou distrator, dessa maneira o custo da cirurgia fica reduzido. Como desvantagens temos: pouca aceitação dos pacientes quando esclarecidos sobre os riscos da cirurgia, alteração sensorial na região de lábio inferior e mento, que pode variar desde uma parestesia temporária até a perda permanente de sensibilidade e tratamento complementar com laserterapia que pode, em alguns casos, ser bastante demorado. O desconforto devido à parestesia pode ser amenizado quando se usa motor piezoelétrico, pois este não corta tecido mole, preservando o plexo dentário inferior, além do risco de secção do nervo alveolar inferior ser totalmente descartado. Outro fator importante na dimunição do tempo de parestesia é a utilização de laserterapia no trans e pós- operatório fundamental neste tipo de cirurgia.
  • Enxerto ósseo em bloco-Fixação de um bloco ósseo (autógeno ou heterógeno) para ganho em altura. Nesta técnica a maior dificuldade é conseguir a manutenção do tecido mole que recobre o osso enxertado. É muito comum a deiscência de sutura no pós-operatório, deixando desta maneira o osso exposto ao meio bucal, levando na maioria das vezes à perda total do bloco. Poderá também ocorrer grande reabsorção do osso enxertado ou até a perda total por uma deficiência do suprimento sanguíneo. Outro fator relevante quando se faz opção por osso autógeno é o fato de, em alguns casos, atuar em duas áreas cirúrgicas, aumentando desta maneira a morbidade. Outro fator a ser avaliado nas cirurgias de Distração e Enxerto em bloco é o espaço protético na região, pois se o mesmo for limitado o ganho de osso poderá deixar um espaço insuficiente para a reabilitação protética.

No próximo artigo falaremos de implantes curtos, que na maioria das vezes pode ser a solução para a reabilitação em mandíbula posterior.

Referências bibliográficas:

Harper, R.P. et al.Reactive changes in the temporomandibular joint after mandibular osteodistraction.Brit J.Oral.and Maxillofac.Surg., 1997;35:20-25.

Rosenquist B.Fixture placement posterior to the mental foramen with transpositioning of the inferior alveolar nerve. Int J Oral Maxillofac Implants, 1992 Spring;7(1):45-50.

Simion, M. Distraction osteogenesis vs onlay bone grafts and guided bone regeneration: what we know and what we suppose. Journal of Oral and Macillofacial Surgery, 2002; 60(6):722-723

Paulo Cesar da Cruz

Graduado em Odontologia pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC); Especialista em Implantodontia pela Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD – São Bernardo do Campo); Professor do Curso Implantodontia (Fundecto-USP); Professor do Curso Especialização Implantodontia Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD – São Bernardo do Campo); Professor do Curso Implantodontia Colégio dos Odontólogos de Lima (Peru) e Professor Coordenador Curso Especialização Implantodontia Funorte-Soebras (Rio de Janeiro).

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