Dicas para escolha de munhões do sistema cone morse

Por Luiz Antônio Borelli | 11 de setembro de 2017

O fundamental para bom êxito, estético e funcional de qualquer sistema de implante é um
correto posicionamento tridimensional no momento da cirurgia. Para isso é muito importante o planejamento, com confecção de modelos de estudo, montagem em articulador, enceramento diagnóstico dos dentes e a confecção de guias cirúrgicas. Há necessidade também em certos casos de reconstrução tecidual e óssea e um adequado manejo protético com uma correta escolha de componentes.
O implante cone morse apresenta uma série de vantagens biológicas e mecânicas em relação aos outros sistemas de hexágono externo e interno. Tem melhor resistência mecânica na junta protética, com menor afrouxamento de parafusos e soltura de próteses, maior transmissão de cargas para o longo eixo do implante diminuindo o estresse ósseo nas áreas cervicais, menor micro gap, menos micro movimentações, favorecimento das distâncias biológicas peri implantares, em razão do efeito plataforma switching com o pilar saindo do centro do implante e distanciamento da margem óssea evitando saucerizações e melhorando a questão do espaço entre implantes. Este tipo de implante necessita uma colocação a 2mm infra ósseo para um bom desenvolvimento e posição dos pilares.

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Esse efeito do pilar favorece a estética por manter o osso cervical evitando remodelações a
longo prazo e com o aumento da espessura do tecido peri implantar.
Há também uma vantagem na logística no uso de componentes pois os pilares são comuns a
todos os diâmetros dos implantes cone morse.
O que temos que prestar atenção é por ser um implante não indexado, procurar realizar a
escolha do pilar na boca levando em consideração o nível da margem gengival e anatomia da crista óssea para ideal seleção da altura peri implantar.
A escolha dessa altura deve ser baseada na profundidade do implante e no nível da margem
gengival. É ideal fazermos a escolha na boca através de uma sonda tipo túnel check ou kit de seleção, cicatrizador que foi colocado ou mesmo um munhão protético disponível para isso. Temos que eleger uma altura que deixe a região de assentamento do pilar levemente acima da crista óssea e também coberta de 1 a 2 mm por tecido gengival em razão da estética. Radiografias são importantes no momento da escolha do componente porque dão
referências reais se está havendo compressão óssea que poderá induzir remodelações do osso marginal.

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O tipo de prótese que será realizado é fundamental para a escolha do pilar. Lembre sempre
que para o sistema cone morse não existe UCLA pois sobrefundições e fundições não vão de
encontro a filosofia de precisão de uma junta morse.
Precisamos saber então se a prótese será múltipla: (segmentos de próteses fixas, prótese tipo protocolo, overdentures a barra) a indicação é para pilares mini cônicos.
No caso de próteses unitárias parafusadas é indicado o pilar cônico estético. Esse
componente exige um bom posicionamento do implante, adequado espaço inter oclusal em torno de 7mm e espaços mésios distais amplos com o mínimo de 7 mm. Esse componente é ideal em casos de forças oclusais excessivas e parafunções assim como grandes distâncias inter oclusais pela vantagem da reversibilidade e pelo princípio mecânico de pilar intermediário (qualquer fadiga quem sofre é o pilar, não o implante)
Nunca esqueça que pela ausência de indexação, temos que instalar o pilar inicialmente, dar o
torque adequado e depois moldar. Não é possível fazer isso de madeira indireta através de modelos.
O aperto tem que ser adequado para que não haja o risco de movimentações posteriores o que poderia inutilizar a prótese realizada. Lembrar também que munhões cimentados vão muito bem em implantes cone morse pela segurança da junta, ausência de micro movimentações e raramente soltura de pilares.

A seguir enumerei algumas dicas para auxiliar escolha de componentes:
1) A melhor maneira de escolher munhões para implantes cone morse é clinicamente ao invés de modelos.
2) Três fatores tem que ser levados em consideração na escolha de munhões CM cimentados:
• Espaço inter oclusal determina a altura do munhão (4 ou 6 mm ).
• Espaço mésio distal determina o diâmetro do munhão ( 3,3 ou 4,5mm)
• Altura entre a base do implante e a margem gengival determina a altura da cinta peri implantar ( 0,8 a 5,5mm ).
3) Para preservação óssea marginal ao redor dos implantes, a base de assentamento protético do munhão deve estar de 1 a 1,5 mm acima da crista.
4) Para melhor estética, a base se assentamento protético deve ficar de 1 a 2mm abaixo da margem gengival aparente.

5) Como a escolha de eleição é a clínica, há necessidade de um Kit para seleção de munhões com réplicas metálicas que possibilitem esterilização e permitam contraste radiográfico.
6) Réguas ou sondas tipo túnel check podem ajudar mas não simulam uma condição muito real, há possibilidade de falhas na escolha. São ótimas para escolher cicatrizadores.
7) Outra possibilidade é dispor de alguns componentes no estoque com esta finalidade. Tornaria a escolha precisa e aumentaria a rapidez dos procedimentos clínicos pela presença imediata do componente.
8) Radiografias são muito importantes, devem ser realizadas como rotina .
9) Este tipo de munhão nunca entra forçado. Se isto estiver ocorrendo provavelmente é por
interferência óssea na porção externa, falta de compatibilidade dos componentes, possíveis
interferências internas ou defeitos nas roscas da porção parafusada.
10) Munhões sólidos sem indexação tem que ser instalados e depois moldados pois a indexação em unitários esta na cabeça dos munhões.

11) Quando instalar os sólidos, já dê o aperto com torque preconizado pelo fabricante evitando risco de solturas ou movimentações posteriores.
12) Munhões angulados sem indexação, quando trabalhados em laboratório necessitam de um guia de posicionamento clínico em resina com apoio nos dentes vizinhos para facilitar a correta inserção.
13) Não esquecer de dar o torque adequado antes de moldar que no caso de próteses cimentadas é de 30 Ncm.

Sequência clínica de munhão cone morse após escolha e instalação.

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CONCLUSÕES
O Implante cone morse pode ser indicado em diversas situações clínicas de próteses
múltiplas e unitárias, cimentadas ou parafusadas com grande desempenho apesar de ser ideal para casos unitários.
Um adequado posicionamento no momento da cirurgia é fator determinante para bom
desempenho dos componentes protéticos .
As distâncias biológicas peri implantares são determinantes para a saúde e estética deste tipo de implante, por isso temos que realizar uma boa escolha e não delegarmos essa função somente ao técnico de laboratório.

 

Luiz Antônio Borelli

Professor assistente e doutor das disciplinas de Clínica Integrada e Implantodontia na Faculdade de Odontologia de Araraquara/Unesp (SP); especialista em Periodontia e Prótese pela PROFIS/USP – Bauru (SP); mestre e doutor em Periodontia pela Faculdade de Odontologia de Araraquara/Unesp (SP); professor dos Cursos de Especialização em Implantodontia da APCD/Regional de Araraquara e Unesp/Araraquara (SP).

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