Efeito do método de retenção de coroas unitárias sobre implantes dentais nos tecidos peri- implantares e na microbiota peri-implantar.

Por Márcio Casati | 30 de outubro de 2019

Análise clínica, histológica, radiográfica e microbiológica de curto prazo.

Early histological, microbiological, radiological, and clinical response to cemented and screw-retained all-ceramic single crowns. Thoma DS et al. Clin Oral Implants Res. Oct;29(10):996-1006, 2018.

OBJETIVOS:

Avaliar a resposta histológica, microbiológica, radiográfica e clínica precoce a reconstruções cerâmicas cimentadas e aparafusadas com implante dentário unitário.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Pacientes com implantes unitários foram alocados aleatoriamente para receber uma coroa de dissilicato de lítio cimentada em um pilar de zircônia personalizado (CEM) ou uma coroa aparafusada com um pilar de zircônia (SCREW). Na consulta de triagem, no momento da inserção da coroa e no acompanhamento de 6 meses, os parâmetros clínicos foram medidos no implante e no dente contralateral. Níveis ósseos marginais, parâmetros clínicos e satisfação estética foram medidos nas reabilitações implanto suportadas. Após 6 meses de instalação da prótese, foi realizado teste microbiológico e biópsia de tecidos moles peri-implantares para análise histológica. As células inflamatórias e os fibroblastos foram analisados na região do epitélio sulcular, epitélio juncional e tecido conjuntivo. Os parâmetros histológicos foram analisados por meio de um modelo linear misto.

RESULTADOS:

Trinta e três pacientes completaram o estudo, e as taxas de sobrevivência do implante e da coroa foram de 100% em 6 meses. Histologicamente, o número de células inflamatórias tendeu a ser maior no grupo de coroas cimentadas. Além disso, menos células inflamatórias e fibroblastos foram encontrados no epitélio sulcular em comparação com o epitélio juncional e o tecido conjuntivo supracrestal. Quatro pacientes foram positivos para patógenos periodontais sendo que três deles pertenciam ao grupo de próteses cimentadas. Os níveis ósseos alteraram minimamente em ambos os grupos. Os parâmetros clínicos e estéticos permaneceram estáveis ao longo do tempo e foram comparáveis entre dentes naturais e implantes, bem como entre os grupos.

CONCLUSÕES:

Após 6 meses de acompanhamento, coroas cimentadas foram associadas a mais células inflamatórias e mais pacientes deste grupo foram diagnosticados com periodonto-patógenos. Ambos os tipos de reconstruções resultaram em resultados radiográficos (nível ósseo marginal) e clínicos semelhantes (sangramento a sondagem e profundidade de sondagem).

Márcio Casati

Professor titular da Disciplina de Periodontia – Universidade Paulista (Unip); Professor associado da área de Periodontia – Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP – Unicamp).

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Márcio Casati