Efeito dos inibidores da bomba de prótons na perda óssea em implantes dentários

Por Márcio Casati | 18 de junho de 2020

Ursomanno BL, Cohen RE, Levine MJ, Yerke LM. Int J Oral Maxillofac Implants. 2020 Jan/Feb;35(1):130-134.

OBJETIVO:

Inibidores da bomba de prótons são prescritos para o tratamento da doença do refluxo gástrico. Esses medicamentos também podem influenciar o metabolismo ósseo. Portanto, o objetivo principal deste estudo foi determinar se o uso de inibidores da bomba de prótons influencia a perda óssea em implantes dentários.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Os registros dentários, médicos e radiográficos dos pacientes que receberam implantes dentários na Universidade de Buffalo, no período de 2000 a 2017, foram revisados neste estudo clínico retrospectivo. A perda óssea ao redor de cada implante foi avaliada radiograficamente por medição direta da perda óssea crestal e contagem do número roscas expostas. O uso de inibidores da bomba de prótons foi confirmado por exame de prontuário. Os efeitos dos fatores sistêmicos também foram avaliados. Os intervalos de confiança e os valores de P das diferenças entre os grupos inibidores da bomba de prótons e não inibidores da bomba de prótons foram calculados via IBM SPSS Statistics v.25.

RESULTADOS:

Um total de 1.480 implantes de 635 pacientes foram utilizados neste estudo. Maior perda óssea foi associada a pacientes com histórico de uso de inibidores da bomba de prótons. Perda óssea média de 1,60 mm foi observada em implantes instalados em pacientes usuários de inibidores da bomba de prótons, em contraste com 1,01 mm de perda óssea em implantes do grupo de pacientes que não usavam inibidores da bomba de prótons (diferença de grupo = 0,59 mm, aumento de 58,40%, P = 0,024, IC [95%] = 0,08 a 1,09 mm). Após o ajuste por fatores sistêmicos, esses efeitos persistiram, com perda óssea de 1,87 mm em pacientes usuários de inibidores da bomba de prótons, em contraste com 1,04 mm em pacientes não usuários de inibidores da bomba de prótons (diferença de grupo = 0,83 mm, aumento de 79,80%, P = 0,028, IC [ 95%] = 0,09 a 1,56 mm). Da mesma forma, foram encontradas 0,63 roscas expostas por implante no grupo de usuários de inibidores da bomba de prótons, em contraste com 0,38 roscas expostas no grupo de pacientes não usuários(diferença média = 0,25 roscas expostas, aumento de 65,8%, P = 0,039, IC [95%] = 0,01 a 0,50 mm).

CONCLUSÃO:

Os dados sugerem que inibidores da bomba de prótons estão relacionados a mais perda óssea crestal ao redor de implantes dentais. Os pacientes que recebem terapia com implantes e são usuários de inibidores da bomba de prótons devem receber manutenção periodontal mais frequente.

Márcio Casati

Professor titular da Disciplina de Periodontia – Universidade Paulista (Unip); Professor associado da área de Periodontia – Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP – Unicamp).

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Márcio Casati