Erro e fracasso – Assumindo a responsabilidade

Por Marco A. Bianchini | 11 de setembro de 2017

O tema Insucessos sempre gera repercussão e tenho recebido muitos e-mails com sugestões para se evitar o desgaste com os pacientes, quando os nossos tratamentos falham. Contratos, explicações prévias, planejamentos alternativos etc. Várias foram as participações com o objetivo de tentar minimizar a desagradável sensação de se deparar com um insucesso, mostrando que a imensa maioria de nós se preocupa com esse aspecto. Muitos demonstraram flexibilidade e humildade em aceitar que nós dentistas somos seres humanos e também erramos, e devemos estar cientes disso, assumindo a nossa parte. Outros, infelizmente, ainda tentam se eximir de qualquer responsabilidade.

Dentro deste contexto de sucesso e insucesso, nós podemos inserir o erro e o fracasso. Quando temos um caso que resultou em insucesso, este pode ter ocorrido através de um erro ou fracasso. Baseado nisso, trago pra vocês hoje um texto bastante interessante que diferencia muito bem o erro do fracasso, do autor Mario Sergio Cortella em: Qual é a sua obra? Editora Vozes. Vejam abaixo:

Só seres que arriscam erram. Não confunda erro com negligência, desatenção e descuido. Ser capaz de arriscar é uma das coisas mais inteligentes para mudar. Você não tem de temer o erro. Tem de temer a negligência, a desatenção e o descuido. Erro é para ser corrigido, não para ser punido. O que se pune é negligência, desatenção e descuido. Quem inventou a lâmpada elétrica de corrente contínua foi Thomas Edison, sabemos. O que nem sempre se tem ideia é que ele fez 1.430 experiências, antes de chegar à lâmpada, que deram errado. Ele inclusive registrou: “inventei 1.430 modos de não fazer a lâmpada”. Porque é muito importante também saber o que não fazer. Ele aprendeu que o fracasso não acontece quando se erra, mas quando se desiste face ao erro.

Dentro da Odontologia nós nos deparamos com essas mesmas situações descritas acima. O medo de arriscar e aprender novas técnicas, muitas vezes, faz com que nos afundemos no convencional, evitando novidades. A resposta geralmente é: “em time que ganha não se mexe”. Essa falsa verdade nos leva a uma acomodação que esvazia nossos consultórios. Quem se acomoda perde para o inovador, pois aqueles que inovam geralmente cometem mais equívocos, mas não fogem deles e sim aprendem com eles, refazendo o caminho com resultados mais satisfatórios em longo prazo. Desta forma, não devemos fugir dos erros ou dos insucessos. Os pacientes em que isso acontece devem ser abraçados por nós, e atendidos até que o problema seja resolvido.

Obviamente que o consultório particular não é o lugar apropriado para se fazer experiências. Quando eu falo de inovar, eu me refiro a reproduzir novas técnicas que são lançadas com respaldo na literatura. Poderíamos citar aqui os implantes cone-morse, protocolos com quatro implantes, carga imediata, osseointegração em 21 dias, enxerto com biomateriais no seio maxilar etc. Não é porque um ou outro caso deu errado que devemos desistir e culpar a nova técnica ou os pacientes.

Quem de nós não saiu um dia do consultório querendo desistir da profissão devido a algum insucesso? É preciso perseverança na curva de aprendizado, até que dominemos algumas novas técnicas e elas comecem a dar melhores resultados. Para isso, é necessário enfrentar os erros e insucessos de frente.

Diferentemente da desatenção, da negligência e do descuido, que são inerentes ao ser humano, os erros e os insucessos podem ser considerados “ossos do ofício”. Para que esses insucessos ou erros não se transformem em fracassos, basta corrigi-los, assumindo a responsabilidade e a nossa parcela de culpa que, de uma maneira ou de outra, acaba sempre existindo.

Marco A. Bianchini

Professor adjunto do Departamento de Odontologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Coordenador do Curso de Especialização em Implantodontia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Autor do livro – O passo a passo cirúrgico na Implantodontia.

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