Incorporação de enxertos

11 de setembro de 2017

Incorporação de enxertos e osseointegração após o uso de enxertos ósseos autógenos e homógenos frescos congelados

Spin-Neto R, Stavropoulos A, Coletti FL, Faeda RS, Pereira LA, Marcantonio E Jr. Graft incorporation and implant osseointegration following the use of autologous and fresh-frozen allogeneic block bone grafts for lateral ridge augmentation. Clin Oral Implants Res. 2013 Jan 25. doi: 10.1111/clr.12107. [Epub ahead of print].

Em primeiro lugar gostaria de externar meu agradecimento à Implacil De Bortoli que me concedeu este espaço para dialogar com os profissionais da área de odontologia.  Espero que possamos contribuir para a discussão de técnicas e materiais que venham a ajudar a elucidar pontos importantes para a prática da Implantodontia, sem sermos absolutamente os donos da verdade.

Como o objetivo é apresentar um resumo de um trabalho por mês, vou tomar a liberdade de iniciar com uma publicação do nosso grupo. Esta é parte de um projeto maior apoiado pela Fapesp, Capes e CNPq em que procuramos determinar as características biológicas dos enxertos ósseos provenientes de bancos de tecido. Vários artigos oriundos deste projeto já foram publicados em periódicos nacionais e internacionais.

No estudo em questão o objetivo foi o de comparar a capacidade de incorporação do osso homógeno fresco congelado (AL) com o osso autógeno (AT) para o aumento de ósseo em espessura em rebordos.

Para isto foram selecionados 34 pacientes, sendo que 20 receberam enxertos autógenos intrabucais e 14 receberam enxertos homógenos cortico-medular, todos para aumento de volume ósseo. A técnica cirúrgica foi a mesma para todos os casos. No momento de instalação dos implantes (6 meses após os enxertos) foram coletadas biópsias, no sentido vestíbulo / lingual.

Essas biópsias foram descalcificadas e processadas para análise histológica e histométrica, em que foram medidos os percentuais de osso vital, dentre outros parâmetros. No mesmo momento foram realizadas instalações de miniimplantes nas áreas enxertadas, para verificar a capacidade de osseointegração nestes enxertos. No momento da colocação dos cicatrizadores os miniimplantes foram removidos com trefinas e o bloco processado para corte não descalcificado.

Os resultados mostraram um percentual de osso vital maior para o enxerto autógeno em relação ao homógeno (27.6 +17.5 vs. 8.4 + 4.9, respectivamente; p = 0.0002).  Em relação ao contato osso implante entre as áreas enxertadas, não houve diferença estatística. A análise histológica mostrou que as áreas enxertadas com osso autógeno mostravam um estágio mais avançado de remodelação óssea.

A conclusão foi de que os blocos de osso AL podem ser uma opção em casos de pouca disponibilidade óssea, porém o impacto clínico de instalar implantes em áreas com grande quantidade de osso não vital ainda precisa ser melhor elucidado, tanto quanto a sobrevivência dos implantes, como a complicações biológicas, como por exemplo periimplantite.

 

Professor doutor Elcio Marcantonio Junior

Professor titular das disciplinas de Periodontia e Implantodontia da Faculdade de Odontologia de Araraquara (UNESP); Coordenador do Curso de Especialização em Implantodontia da Faculdade de Odontologia de Araraquara (UNESP) e Professor do Programa de Pós-Graduação em Odontologia, áreas de Periodontia e Implantodontia da Faculdade de Odontologia de Araraquara (UNESP).