Márcio Casati indica artigo sobre acompanhamento em implantes com tratamento de superfície

Por Márcio Casati | 11 de setembro de 2017

Resultados de longo prazo de um estudo prospectivo de implantes dentais colocados em pacientes com histórico de doença periodontal: dados de 10 anos de acompanhamento em implantes com tratamento de superfície.

Roccuzzo mBonino lDalmasso pAglietta m., clin oral implants res. 2013 JUL 19. DOI: 10.1111/CLR.12227. [EPUB AHEAD OF PRINT]

Objetivo

O objetivo deste estudo foi comparar os resultados de longo prazo de implantes de superfície modificada colocados em pacientes com doença periodontal previamente tratada e pacientes com saúde gengival.

Material e métodos

Cento e quarenta e nove pacientes parcialmente desdentados tratados em clínica privada foram divididos em 3 grupos de acordo com a condição periodontal: 1) pacientes periodontalmente saudáveis, 2) pacientes com comprometimento periodontal moderado e 3) pacientes com comprometimento periodontal severo. Os implantes foram colocados para suportar próteses fixas após o término da terapia periodontal.

Ao final da fase ativa de tratamento periodontal os pacientes foram inseridos num esquema individualizado de terapia periodontal de suporte. Após10 anos de colocação do implante, medidas clínicas e radiográficas foram realizadas por 2 examinadores calibrados e cegos para a classificação inicial do paciente quanto ao perfil periodontal. Foram examinados neste momento 123 pacientes. O número de sítios tratados de acordo com modalidade de tratamento (antibióticos e/ou cirurgia) durante a terapia de suporte também foi registrado

Resultados

Seis implantes foram removidos por complicações biológicas. A taxa de sobrevivência foi 100% para os pacientes saudáveis, 96,9% para pacientes com comprometimento periodontal moderado e 97,1% para os pacientes com comprometimento periodontal severo. O uso de antibióticos e/ou cirurgia aconteceu em 18,8% dos pacientes saudáveis, 52,2% dos pacientes com comprometimento periodontal moderado e 66,7% dos pacientes com comprometimento periodontal severo. Apresentando diferenças estatísticas entre os pacientes saudáveis e com histórico de doença periodontal. Após 10 anos de acompanhamento a porcentagem de implantes com pelo menos 1 sítio com profundidade de sondagem maior ou igual a 6 mm foi 0% para o grupo de pacientes sem doença periodontal, 9,4% dos pacientes com comprometimento periodontal moderado e 10,8% dos pacientes com comprometimento periodontal severo. Estas diferenças foram estatisticamente significantes entre os grupos de pacientes com histórico de doença periodontal e saudáveis.

Conclusão

O estudo mostra que implantes dentais de superfície modificada colocados em pacientes com controle periodontal rigoroso apresenta resultados previsíveis em longo prazo. Entretanto, pacientes com histórico de periodontite, e que não aderem totalmente à terapia periodontal de suporte apresentam número estatisticamente maior de implantes que requerem cirurgia adicional ou antibioticoterapia. Portanto, os pacientes devem ser informados no início do tratamento da importância da terapia periodontal de suporte para o bom resultado em longo prazo da terapia com implantes dentais, principalmente os pacientes com histórico de periodontite.

Márcio Casati

Professor titular da Disciplina de Periodontia – Universidade Paulista (Unip); Professor associado da área de Periodontia – Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP – Unicamp).

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Márcio Casati