Osso fino e os expansores ósseos

Por Marco A. Bianchini | 11 de setembro de 2017

Os expansores, também chamados condensadores ósseos, são instrumentos manuais de diferentes diâmetros capazes de dar forma ao osso, na preparação do leito para a instalação de implantes dentários. São usados como etapa final, precedendo a instalação do implante, geralmente em situações onde temos limitações na espessura ou altura óssea.

 

Existem situações clínicas específicas nas quais estes instrumentos encontram aplicabilidade, tais como:

 

1.    Melhoria na Estabilidade Primária. Em situações onde a densidade óssea encontra-se reduzida (classificação D3 e D4 Lekholm and Zarb, 1985) seu uso é justificado pela condensação do osso trabecular, aproveitando as propriedades visco-elásticas do mesmo. No entanto, quando a densidade óssea é maior (D1 e D2),  aumenta a possibilidade de danos à microcirculação.

 

2.    Expansão óssea. Na presença de um rebordo com pouca espessura a expansão/condensação tornar-se um método mais simples e menos invasivo que possibilita a instalação do implantes diminuindo o risco de fenestração. Porém, a expansão óssea através desta técnica está limitada a espessura da crista alveolar com um mínimo de 3mm, em casos de menor espessura, abordagens alternativas estariam melhor indicadas.

 

3.    Levantamento de Seio Maxilar. Em casos que permitem uma abordagem atraumática, os expansores são opções interessantes que visam um tratamento com maior conforto ao paciente, assim como maior controle do operador.

 

Dentre as principais vantagens do uso dos expansores podemos citar a máxima preservação do remanescente ósseo, melhorias na estabilidade primária do implante, maior sensibilidade tátil, visibilidade e controle do operador reduzindo o risco de danos às estruturas anatômicas importantes. A maioria das empresas fabricantes de implantes também oferece este tipo de instrumento. Entretanto, existem algumas diferenças básicas entre os produtos que podem modificar o objetivo que realmente estamos buscando no uso destas ferramentas cirúrgicas.

 

Além das funções descritas, alguns sistemas de compactação oferecem a possibilidade de remoção óssea atuando como escareadores. Um desses sistemas estaremos descrevendo no caso clínico abaixo, o qual apresenta esta dupla função, diferenciada pelo modo de uso:  com movimento circular horário tem como função escareador e com movimento circular anti-horário tem como função compactar.

 

Figuras 1 e 2: Vistas vestibular e oclusal de ausência do elemento 24 restaurado através de uma prótese adesiva. Observar que clinicamente já se percebe a depressão por vestibular.

 

Figuras 3 e 4: Expansor ósseo com função de escareador executando a compactação óssea e alargando o osso fino por vestibular. Observar na figura 4 o tecido ósseo sendo compactado.

 

Figuras 5 e 6: Implante Cone Morse colocado. Observar na figura 5 a espessura fina do osso vestibular que foi expandido e compactado pelo uso do escareador. Na figura 6 observamos a boa posição intra-óssea do implante e a colocaçãoo de um cicatrizador para facilitar os procedimentos de reabertura.

 

Pode-se nestas situações, ainda complementar a cirurgia com um enxerto de biomaterial recoberto por uma barreira (membrana) na vestibular, bem como um tecido conjuntivo junto ao retalho vestibular, a fim de evitar reabsorções futuras e comprometimentos estéticos, que são inevitáveis com o passar dos anos. A combinação de técnicas, é muitas vezes a melhor solução para casos como este descrito aqui.

 

Espessuras ósseas reduzidas ou osso fino, como costumamos falar mais informalmente, ainda continuam sendo um desafio para quem faz implantes diariamente. A evolução dos materiais, instrumentais e implantes vem oferecendo alternativas as cirurgias de enxertos ósseos mais invasivas. Os expansores ósseos ou escareadores são mais uma dessas alternativas que podem facilitar a nossa clínica de implantodontia.

 

“ Pedro dirigiu-se a Jesus perguntando: Senhor quantas vezes devo perdoar o meu irmão se este pecar contra mim? Até sete vezes? Jesus respondeu:  Digo-te, não até sete vezes, mas até setenta vezes sete. “ Matheus 18, 21-22.

 

Colaboraram:

Edwin Ruales Carrera

Patrícia Pauletto

Mestrandos em Implantodontia – Universidade Federal de Santa Catarina

Marco A. Bianchini

Professor adjunto do Departamento de Odontologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Coordenador do Curso de Especialização em Implantodontia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Autor do livro – O passo a passo cirúrgico na Implantodontia.

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