Osteogen® como material de preenchimento em levantamento de seio maxilar

Por Rafael Manfro | 12 de junho de 2019

A escolha do material a ser utilizado nas cirurgias de levantamento de seio maxilar ainda é assunto de inúmeras discussões tanto na literatura como nas redes sociais. Esta discussão só é válida em nossa opinião quando estamos falando de situações de rebordos residuais com no máximo 4mm de altura. Acima desta altura a literatura mostra que qualquer material inclusive o coágulo permite uma formação óssea e a estabilidade do implante em função a longo prazo(7,8)

 

 Figura 1: membrane do seio maxilar deslocada com área a ser enxertada pronta;

 

Figura 2: Osteogen® sendo enxertado com a seringa aplicadora;

 

Quando estamos por decidir qual o substituto ósseo a ser utilizado devemos levar dois critérios principais em consideração: O primeiro é a possibilidade deste material ser substituído por osso. O segundo critério é a manutenção do volume ósseo(2, 3, 5, 6, 7).

O Osteogen® é uma hidroxiapatita sintética absorvível que atende a estes critérios descritos acima(1, 4, 5).

Nosso grupo em 2014 mostrou que a instalação de implantes simultâneos ao levantamento de seio maxilar com Osteogen® em rebordos com altura residual média de 1,78 é previsível e com índices de sobrevivência dos implantes semelhantes a rebordos superiores a 4mm a longo prazo(1).

Numa avaliação prospectiva de 28 casos de levantamento de seio maxilar utilizando Osteogen® como material de preenchimento nosso grupo observou um aumento médio de 8,01mm quando o implante foi instalado em um segundo tempo e um aumento de médio de 9,11mm quando o implante foi instalado simultaneamente ao levantamento de seio maxilar. Foram avaliados também 23 implantes instalados simultaneamente e 25 implantes instalados em um segundo tempo. Destes 48 implantes apenas um foi perdido após 24 meses de função resultando em um índice de sucesso de 95,83%(4).

Outra grande vantagem deste material é a sua apresentação clínica que vem com uma seringa aplicadora que facilita muito a sua manipulação independente do sistema do uso de soro, sangue ou fatores de crescimento para sua aglutinação.

O tamanho de sua partícula também é bastante favorável quando realizamos o levantamento de seio maxilar pela crista do rebordo. Nesta técnica a inserção do material é responsável pelo levantamento da membrana e particular pequenas diminuem o risco de uma perfuração neste momento(6).

Os autores acreditam que o uso do Osteogen® é um material com excelente indicação para as técnicas de levantamento de seio maxilar tanto na técnica da janela lateral, independente da altura residual, como nos levantamentos pela crista do rebordo, não sendo necessário a associação de nenhum tipo de material, como o osso autógeno, nem do uso de fatores de crescimento.

Figura 3: enxerto realizado

 

Figura 4: fresa neurológica do sistema SCA realizando a perfiração pela crista do rebordo;

 

Figura 5: aplicador de enxerto com Osteogen®

 

Figura 6: aplicador enxerto no alvéolo cirúrgico;

 

Figura 7: rx pós-operatório mostrando a membrana levantada pelo biomaterial.

Referências Bibliográficas:

  1. Bortoluzzi MC, Manfro R, Fabris V, Cecconello R, Derech E. Comparative study of immediately inserted dental implants in sinus lifting áreas: 24 months of follow-up. Annals of Maxillofac Surgery. 4: 30-33, 2014.
  2. Manfro R, Fonseca FS, Bortoluzzi MC, Sendyk WR. Comparative, histological and histomorphometric analysis of three anorganic bovine xenogenous boné substitutes: Bio-oss, Bone Fill and Gen Ox Anorganic. J Oral Maxillofac Surgery. 13: 464-470, 2012.
  3. Manfro R, Nascimento Jr. WR, Loureiro JA, Bortoluzzi MC. Avaliação do sucesso de 20 casos de levantamento de seio maxilar utilizando osso autógeno particulado e Gen On inorgânico associados em partes iguais (1:1) – Controle de 2 anos. Implantnews 6: 161-166. 2009.
  4. Manfro R, Garcia GFF, Fabris VF, Avaliação da sobrevivência dos implantes dentários instalados após o uso de hidroxipataita suntética, in press
  5. Manfro R, Garcia GFF, Fabris VF. Biomateriais para reconstruções teciduais em implatodontia in Manfro et al. Reconstruções teciduais em implantodontia: Por que? Quando? Como?. Capítulo 3 Editora Plena, Curitiba: 2019.
  6. Manfro R, Garcia GFF, Fabris VF, Bortoluzzi MC. Levantamento de seio maxilar para correção de defeitos em altura in Manfro et al. Reconstruções teciduais em implantodontia: Por que? Quando? Como?. Capítulo 8 Editora Plena, Curitiba: 2019.
  7. Peleg M, Garg A, Mazor Z. Predictability as simultaneous implant placement in the severely atrophic posterior maxilla: A 9-year longitudinal experience study of 2,132 implants placed into 731 human sinus grafts. Int J Oral Maxillofac Implants. 21: 94-102, 2006
  8. Pjetursson, B.E., Rast, C., Bragger, U., Schmidlin, K., Zwahlen, M. & Lang, N.P. Maxillary sinus floor elevation using the (transalveolar) os- teotome technique with or without grafting mate- rial. Part I: implant survival and patients’ perception. Clinical Oral Implants Research 20: 667–676, 2009.
  9. Schlegel A, Hamel J, Wichmann M, Eitner. Comparative clinical results after implant placement in the posterior maxilla with and without sinus augmentation. Int J Oral Maxillofac Implants 23:289-98, 2008.

Rafael Manfro

Especialização em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial – UFSC; Mestre em implantodontia – UNISA-SP; Doutorado em implantodontia – SLMandic-SP; Coordenador dos cursos de cirurgia avançada para implantodontia – CEO São José-SC e ABO Florianópolis-SC; Autor de mais de 70 artigos nacionais e internacionais; Autor do livro Reconstruções teciduais em implantodontia – por que, quando e como?

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