Perfil clínico e microbiológico associado às doenças peri-implantares em indivíduos com e sem terapia periodontal de suporte: Acompanhamento de 5 anos.

Por Márcio Casati | 08 de janeiro de 2019

Costa FO, SD Ferreira, Cortelli JR, Lima RPE, Cortelli SC, Cota LOM.

Clin Oral Investig. 2018 1 de novembro. Doi: 10.1007 / s00784-018-2737-y.

 

OBJETIVOS:

Alterações longitudinais clínicas e microbiológicas em indivíduos com mucosite peri-implantar, com ou sem terapia de manutenção preventiva, em longos períodos de acompanhamento ainda não foram relatadas. Este estudo com 5 anos de acompanhamento teve como objetivo avaliar as alterações clínicas e microbiológicas ao longo do tempo em indivíduos inicialmente diagnosticados com mucosite peri-implantar.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Oitenta indivíduos diagnosticados com mucosite peri-implantar foram acompanhados durante 5 anos. Eles foram divididos em dois grupos 1) pacientes que receberam terapia de manutenção preventiva durante o período do estudo (n = 39) e 2) pacientes que não receberam terapia de manutenção preventiva (n = 41). Os exames periodontal e peri-implantar foram realizados. Amostras microbiológicas peri-implantares foram coletadas e analisadas por meio de qPCR para Tannerella forsythia, Treponema denticola, Porphyromonas gingivalis, Prevotella intermedia, Fusobacterium nucleatum e Actinomyces naeslundii no início do estudo e após 5 anos.

RESULTADOS:

Os pacientes que não receberam terapia periodontal de suporte apresentaram maior incidência de peri-implantite que os pacientes que receberam. Além disso, o grupo sem terapia de manutenção preventiva apresentou carga bacteriana total significativamente maior e maior frequência das bactérias patogênicas. Indivíduos que evoluíram para peri-implantite apresentaram carga bacteriana total significativamente maior e maiores frequências de P. gingivalis, T. denticola e F. nucleatum.

CONCLUSÕES:

A ausência de consultas regulares para terapia periodontal de suporte foi associada a maior incidência de peri-implantite e aumento significativo na carga bacteriana total.

RELEVÂNCIA CLINICA:

Visitas regulares para realização de terapia periodontal de suporte influência positivamente a microbiota subgengival e contribui para a homeostase peri-implantar e a estabilidade do estado clínico durante um período de monitoramento de 5 anos. O envolvimento com os programas de terapia periodontal de suporte deve ser estimulado nos indivíduos reabilitados com implantes dentários.

Márcio Casati

Professor titular da Disciplina de Periodontia – Universidade Paulista (Unip); Professor associado da área de Periodontia – Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP – Unicamp).

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Márcio Casati