Quanto tempo dura uma prótese sobreimplante?

Por Marco A. Bianchini | 11 de setembro de 2017

Quanto tempo dura uma prótese sobreimplante? Essa é uma pergunta muito comum e que ouvimos bastante dos nossos pacientes. Geralmente eles sempre querem saber se o implante é para vida toda, mas quando se fala da prótese, são mais tolerantes. Na maioria das vezes, os pacientes aceitam bem que as próteses precisem ser trocadas depois de um determinado tempo. O que eles não aceitam muito bem são as perdas do implante propriamente dito. Assim, quando falamos que uma prótese sobre implante dura, em média, cinco anos, temos uma boa aceitação por parte dos clientes. Mas será que esse tempo de cinco anos é verdadeiro?

A literatura apresenta uma série de artigos abordando a longevidade das próteses fixas sobre dentes naturais e sobre implantes. A grande maioria dos trabalhos adota esse número, quase que cabalístico, de cinco anos, como um tempo aceitável de sobrevivência em boca sem grandes problemas. Contudo, sabemos que a sobrevivência em boca não representa sucesso. Podemos ter uma prótese fixa sobre implantes sobrevivendo em boca durante cinco anos, mas que uma vez ao mês ela afrouxa os seus parafusos de retenção. Será isso sucesso? Claro que não!

Na verdade sabemos que o calcanhar de Aquiles de uma reabilitação sobre implantes é a parte protética. A maioria das consultas de manutenção acaba necessitando de algum manejo protético. Seja um ajuste oclusal, um apertamento de parafuso, um polimento ou alívio, as próteses estão sempre sofrendo reparos e exigindo da nossa parte mais e mais consultas de manutenção. Quem não computar essas consultas no seu custo fixo, corre um sério risco de sofrer prejuízos financeiros.

Levando-se em consideração as diversas falhas que podem surgir nas reabilitações sobre implantes, podemos eleger o afrouxamento e a fratura dos parafusos como um dos problemas mais comuns, principalmente no primeiro ano após a instalação da prótese. Quem nunca sentiu aquele frio na espinha quando aquele mesmo paciente liga várias e várias vezes reclamando que a prótese está frouxa?

As razões para o afrouxamento e até mesmo a fratura de parafusos de retenção das próteses são muitas. Essas complicações podem ocorrer principalmente como resultado do torque inadequado, formato incorreto da prótese, componentes mal fabricados, carga excessiva e incorreto desenho do parafuso. Além disso, outras complicações podem surgir devido a esse afrouxamento ou fratura de parafusos envolvendo o implante propriamente dito e os seus tecidos peri-implantares.

Mesmo com uma vasta literatura, o afrouxamento de componentes ainda atormenta muito a vida dos protesistas. Muitas vezes não há explicação plausível para o afrouxamento, mas ele acaba acontecendo. A melhor solução para esse problema reincidente é trocar logo os componentes ou repetir a prótese. Insistir em sucessivos reapertos sem identificar a causa não resolve o problema e posterga a solução.

Devemos sempre lembrar que fatores biomecânicos também podem desempenhar um papel importante no sucesso ou falha do conjunto implante-prótese, conforme o tipo de pilar utilizado. E ainda, distorções e irregularidades causadas por procedimentos de fundição no laboratório podem afetar o ajuste e estabilidade das reabilitações.

Assim, se formos considerar como tempo de vida útil de uma prótese o período que ela fica em boca, sem necessitar de algum tipo de reparo ou intervenção, muito provavelmente teremos uma redução desses supostos cinco anos. Torna-se necessário que tenhamos o bom senso e a coragem de explicar para os nossos pacientes, que uma prótese não é, e jamais será igual ou melhor do que um dente natural. Devemos esclarecer aos clientes que as falhas, reparos, manutenções e substituições de componentes fazem parte de quem recebeu esse tipo de tratamento. Obviamente que devemos primar pelo tipo de tratamento mais correto. É nossa responsabilidade oferecer o melhor e mais indicado. Mas também é nosso dever evidenciar aos pacientes que, quem recebe um trabalho protético sobre implantes, vai ter que conviver com um componente artificial para o resto de suas vidas.

Marco A. Bianchini

Professor adjunto do Departamento de Odontologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Coordenador do Curso de Especialização em Implantodontia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Autor do livro – O passo a passo cirúrgico na Implantodontia.

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Marco A. Bianchini