TEMPO DE OSSEOINTEGRAÇÃO

Por Marco A. Bianchini | 03 de outubro de 2019

Um dos maiores desafios e também uma das maiores preocupações dos implantodontistas é o tempo de espera necessário para obtermos a nossa tão sonhada osseointegração. O antigo dogma dos 6 meses para maxila e 3 meses para mandíbula vem sendo perseguido ao longo das últimas décadas, na tentativa de acelerarmos esse fenômeno e diminuirmos o tempo de espera dos nossos pacientes, para que estes recebam as suas próteses sobre implantes e possam mastigar normalmente.

O advento da carga imediata conseguiu resolver este problema em uma série de situações clínicas que enfrentamos diariamente. Entretanto, os seus princípios não se aplicam em todas as situações. Assim, em muitos casos não há como não se esperar algum tempo para que o implante osseointegre e possamos colocar o dente (carga) sobre ele. Isso implica no enfrentamento de mais algumas situações atípicas, que são as próteses provisórias que os pacientes tem que utilizar até que o implante esteja totalmente integrado. Estas próteses acabam sendo extremamente desconfortáveis para os pacientes, tendo que ser reparadas com uma grande frequência, além de macularem os tecidos moles circunjacentes aos implantes.

Objetivando diminuir este tempo de osseointegração, algumas empresas vem buscando modificar a macroestrutura e o tratamento de superfície dos seus implantes, a fim de que o fenômeno da incorporação óssea no titânio seja mais rápido, mais eficiente e mais duradouro. Agora em 2019 uma empresa nacional está lançando no mercado um implante que parece estar indicando uma forte tendência para resolver este problema. Trata-se do implante Maestro da marca Implacil De Bortoli – São Paulo – Brasil, que foi apresentado em uma recente publicação internacional da equipe do Professor Sergio Gehrke no Appl. Sci. 2019, 9, 3181; doi:10.3390/app9153181, que trazemos na íntegra aqui para acesso de todos.

A essência deste artigo foi o desenvolvimento de um novo projeto de implante com câmaras de cicatrização nas roscas. Este novo desenho foi analisado e comparado com a macrogeometria de implantes cônicos convencionais e ambos os modelos foram testados com e sem tratamento de superfície. Os implantes foram colocados em duas tíbias (n = 2 implantes por tíbia) de 20 coelhos da Nova Zelândia, em um estudo randomizado. As amostras do osso per-implantar foram colhidas e avaliadas em dois momentos: 15 e 30 dias após a inserção dos implantes. Os parâmetros avaliados foram quociente de estabilidade do implante (ISQ), valores de torque de remoção (RTv) e avaliação histomorfométrica, para determinação do contato osso-implante (% BIC) e ocupação da fração da área óssea (% BAFO). A figura 1 ilustra os implantes avaliados.

Figura 1:

a) Macrogeometria tradicional de implantes cônicos com espiras lisas

b) Nova Macrogeometria de implantes cônicos com câmaras de cicatrização nas espiras

Os resultados mostraram que os implantes com a macrogeometria modificada com câmaras de cicatrização nas espiras, produziram um aumento significativo na osseointegração, acelerando esse processo. As análises mostraram diferença estatística significativa entre os grupos nos períodos de avaliação (p ≤ 0,0001). Além disso, foi encontrado um aumento importante nos parâmetros histológicos, favorecendo fortemente o grupo com o novo desenho macrogeométrico, onde os valores de BIC e BAFO foram bastante superiores ao grupo dos implantes com desenho convencional,
nos dois momentos que as amostras foram avaliadas (15 e 30 dias).

Mesmo sendo ainda um estudo preliminar em animais, os resultados indicam que os implantes com macrogeometria modificada, com câmaras de cicatrização nas espiras, produzem um aumento significativo na osseointegração, acelerando esse processo. Além disso, os achados histológicos deste trabalho mostraram um aumento importante da área de contato osso-implante (BIC) e ocupação da fração da área óssea (BAFO). Sem falar nos parâmetros biomecânicos (estabilidade do implante e valores de remoção de torque) que para este novo desenho de implante foram também bastante relevantes. Pesquisas como esta vão referendando o anseio dos clínicos de acreditarem que é possível obtermos excelentes padrões de osseointegração em um espaço de tempo
menor.

Marco A. Bianchini

Professor adjunto do Departamento de Odontologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Coordenador do Curso de Especialização em Implantodontia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Autor do livro – O passo a passo cirúrgico na Implantodontia.

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Marco A. Bianchini