Tratamento com bisfosfonato pode dificultar a exodontia

11 de setembro de 2017

Tratamento com bisfosfonato por longos períodos pode aumentar a dificuldade de exodontia

Conte-Neto N, Bastos Ade S, Spolidorio LC, Chierici Marcantonio RA, Marcantonio E Jr. Long-term treatment with alendronate increases the surgical difficulty during simple exodontias – an in vivo observation in Holtzman rats.  Head Face Med. 2012 Jul 26;8:20. doi: 10.1186/1746-160X-8-20

A prescrição de bisfosfonatos, devido aos seus efeitos expressivos no controle da perda óssea, tem aumentado bastante na clínica médica.  As principais indicações são no tratamento da osteoporose, mieloma múltiplo, doenças reumáticas e neoplasias com metástases ósseas.

Casos de osseonecrose com o uso prolongado de bisfosfonatos têm sido relatados na literatura, com graus diferentes de incidência e associados a diversos fatores, como potência da droga, tempo de utilização, tabagismo, via de administração, traumas locais e procedimentos odontológicos. Destes últimos, o principal fator de risco é provavelmente a exodontia.

O presente artigo discute um achado que não havia sido relatado até então e que pode ter uma aplicação clínica interessante. Sessenta ratos foram divididos randomicamente em 3 grupos de animais, que receberam um dos tratamentos a seguir: administração diária de 1 mg/kg, (AL1), 3 mg/kg (AL3) ou soro fisiológico (CTL) por 60 dias. Após este período os ratos foram anestesiados e os primeiros molares inferiores foram extraídos, sempre pelo mesmo operador, utilizando-se instrumentos especialmente adaptados para este fim, visto o pequeno tamanho destes dentes.

O grau de dificuldade de exodontia foi baseado na frequência de fraturas radiculares e no tempo requerido para realização do procedimento. O tempo foi medido por cronômetro digital, sempre pelo mesmo auxiliar. O operador e o auxiliar não sabiam a que grupo pertenciam os animais, os quais foram codificados. Os dados obtidos foram analisados por meio de testes estatísticos.

Os resultados demonstraram que os grupos tratados com bisfosfonatos exibiram um número bem maior de fraturas radiculares, bem como exigiram maior tempo operatório.

Obviamente deve-se considerar que estes são resultados em animais e, portanto, sujeitos a interpretação e não devem ser integralmente transpostos a humanos. No entanto, considerando que a exodontia é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da osseonecrose dos maxilares nos pacientes tratados com bisfosfonatos e que quando realmente necessária deva ser realizada da forma mais atraumática possível, os dados apresentados podem ajudar o Cirurgião Dentista a antever as dificuldades e prevenir maiores problemas.

Elcio Marcantonio Junior

Professor titular das disciplinas de Periodontia e Implantodontia da Faculdade de Odontologia de Araraquara (UNESP); Coordenador do Curso de Especialização em Implantodontia da Faculdade de Odontologia de Araraquara (UNESP) e Professor do Programa de Pós-Graduação em Odontologia, áreas de Periodontia e Implantodontia da Faculdade de Odontologia de Araraquara (UNESP).