Tratamento das periimplantites

11 de setembro de 2017

Sahm N, Becker J, Santel T, Schwarz F. Non-surgical treatment of peri-implantitis using an air-abrasive device or mechanical debridement and local application of chlorhexidine: a prospective, randomized, controlled clinical study. J Clin Periodontol 2011; 38: 872–878.

Histórico e objetivo

O tratamento da periimplantite consiste em um grande desafio devido a necessidade da remoção dos agentes causadores da doença em uma superfície altamente retentiva e rugosa com concomitante preservação da superfície do implante. Dessa forma, não existem protocolos padrões estabelecidos para o tratamento dessa patologia.

Dentre as ferramentas propostas para o tratamento das periimplantites, a utilização do jato de ar com abrasivos a base de bicarbonato foi anteriormente testado, porém a despeito da boa capacidade de remoção de bactérias aderida à superfície dos implantes a utilização dessa ferramenta promovem alterações nas superfícies dos implantes. Nesse estudo, os autores citam como alternativa a utilização do jato de ar com um abrasivo a base de glicina, que ao contrário dos abrasivos a base de bicarbonato de cálcio, demonstrou eficiência na descontaminação de superfícies de implante sem alteração de sua estrutura de superfície.

Dessa forma, o objetivo desse estudo foi de comparar clinicamente o tratamento não-cirúrgico da periimplantite com curetas e irrigação com clorexidina em relação ao tratamento com o jato de ar com abrasivo a base de glicina.

Material e métodos

32 pacientes que apresentavam 43 implantes acometidos por periimplantite participaram desse estudo. A periimplantite foi definida como presença de pelo menos um sítio de profundidade de sondagem ≥ 4mm, com sangramento ou supuração a sondagem por implante. Os pacientes foram divididos randomicamente em dois grupos: 1) Jato de ar com Glicina e 2) Curetas de carbono. No grupo 1, a aplicação do jato foi executada subgengivalmente por 5 segundos em cada uma das quatro faces do implante, enquanto que no grupo 2 a raspagem foi executada até o operador sentir que as superfícies estavam devidamente debridadas. Os pacientes foram avaliados com relação ao índice de placa, sangramento a sondagem, profundidade de bolsa a sondagem, nível da mucosa periimplantar, e nível clínico de inserção antes do tratamento, 3 e 6 meses após o tratamento. Os pacientes foram mantidos em um programa de manutenção durante todo o período de acompanhamento desse estudo.

Resultados

Foi verificado que ambos os tratamento promoveram redução do sangramento a sondagem, da profundidade de bolsa a sondagem e ganho no nível clínico de inserção. O tratamento com jato de ar com partículas de glicina só foi estatisticamente superior em relação ao tratamento com curetas com relação ao sangramento a sondagem. As bolsas de 4-6 mm tiveram melhoras nos parâmetros clínicos estatisticamente superiores a sítios com 1-3mm.

Conclusão

Os autores desse estudo concluíram que ambos os tratamentos promoveram melhoras nos parâmetros clínicos da doença periimplantar em um período curto de acompanhamento, entretanto o tratamento com o jato de ar com partículas de glicina foi mais efetivo na redução da atividade da doença devido aos maiores efeitos na redução do sangramento a sondagem.