Uso de placas de titânio

Por Sérgio Jorge Jayme | 11 de setembro de 2017

Uso de placas de titânio para diminuir o risco de fratura mandibular em procedimentos de lateralização do nervo alveolar inferior

A reabilitação da região posterior da mandíbula com implantes é considerada um desafio por muitos profissionais. Devido à atrofia óssea decorrente de fatores como extração dentária, doença periodontal e utilização de próteses removíveis, muitas vezes não existe disponibilidade óssea para colocação de implantes convencionais. Algumas alternativas são comprovadamente eficazes para tratamento dessa condição, como enxertos ósseos, implantes curtos, distração osteogênica e lateralização do nervo alveolar inferior (LNAI).

A técnica de LNAI consiste na confecção de uma osteotomia na região posterior vestibular da mandíbula para tracionar um segmento do nervo alveolar inferior, para possibilitar a colocação de implantes aproveitando a zona óssea inferior ao nervo. É considerada uma técnica complexa pelos riscos envolvidos ao realizar osteotomia próxima e manipulação do nervo alveolar inferior. Com o advento do dispositivo piezo elétrico, a técnica se tornou mais segura e acessível a profissionais, mesmo com pouca experiência clínica. Pesquisas mostram que até o contato direto do nervo com o instrumento quando ativado foi incapaz de causar sequelas sensoriais permanentes. As sequelas sensoriais temporárias também têm sido tratadas com sucesso com laserterapia, diminuindo o tempo de recuperação sensorial.

O procedimento é indicado para mandíbulas com atrofia óssea moderada a severa e, considerando tanto a osteotomia vestibular como a osteotomia para colocação dos implantes, a mandíbula fica sujeita a fraturas. Outros fatores como tônus muscular e hábitos parafuncionais podem aumentar ainda mais esse risco. Nesses casos, o profissional pode ficar em dúvida quanto ao custo-benefício do procedimento e até mesmo contraindicá-lo pelos fatores anteriormente mencionados. O procedimento também está sujeito a intercorrências cirúrgicas que podem enfraquecer ainda mais a mandíbula ..

Recursos que possam  diminuir eficientemente o risco de fratura óssea nessas condições são desejados. As placas de titânio são tradicionalmente utilizadas para tratamento de fraturas ósseas e  demonstram-se efetivas nesse sentido. Considerando  seu efeito de reforço e estabilização, o objetivo do presente trabalho foi analisar comparativamente o efeito de placas de titânio no risco de fratura de uma mandíbula após LNAI e colocação de implantes.

Uso de placas de titânio para diminuir o risco de fratura mandibular em procedimentos de lateralização do nervo alveolar inferior: análise 3D por elementos finitos

Sérgio Jayme e Colaboradores

The use of titanium plates to decrease the risk of mandibular fracture during inferior alveolar nerve lateralization: a 3-D finite element analysis

RESUMO

Mandíbulas com perda óssea moderada a severa podem sofrer fratura após um procedimento de lateralização do nervo alveolar inferior. Os autores analisaram a eficácia de placas de titânio para diminuir o risco de fratura nessas condições. Para tanto, uma tomografia computadorizada foi reconstruída digitalmente e foram simuladas mandíbulas atróficas submetidas à lateralização com e sem reforço de placas de titânio, através do método dos elementos finitos. Os resultados demonstraram que placas de titânio de 0,6 mm de espessura não são efetivas para diminuir o risco de fratura em procedimentos de lateralização do nervo alveolar inferior. Unitermos – Implantes dentários; Lateralização do nervo alveolar inferior; Transposição do nervo alveolar inferior; Fratura mandibular; Placas de titânio; Análise 3D com elementos finitos.

ImplantNews 2013;10(4):485-91

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Sérgio Jorge Jayme

Doutorado em reabilitação oral pela Universidade de São Paulo; é mestre em Implantodontia; especialista em Prótese Dentária; pós-graduado em Periodontia e presidente da Academia Brasileira de Osseointegração.

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