Vida de doutorando na Suíça, EACH e a peri-implantite

Por Marco A. Bianchini | 11 de setembro de 2017

Há pouco mais de dois meses morando na Suíça, mais precisamente em Berna, e já deu para perceber a importância da pesquisa ao transitar pelos corredores da Universidade e até mesmo ao observar o comportamento do povo suíço em frente às prateleiras dos supermercados. Sim, consegue-se reparar a importância da pesquisa ao notar que eles usam grande parte do seu tempo lendo as embalagens dos produtos antes de comprá-los. O consumidor não está apenas interessado no produto em si, mas também como este foi produzido, aonde foi produzido e quais os materiais e métodos utilizados na sua fabricação e/ou preparo. Por essas características da população em si, fica fácil perceber que a profissão de pesquisador por aqui é altamente valorizada. Incentivos não faltam para quem demonstra interesse em seguir carreira nesta nobilíssima profissão.

Como integrante do grupo de pesquisadores da Universidade, fui convidado para no dia 1o de março, participar de um encontro realizado nos arredores de Barcelona, mais precisamente em L’Ametlla del Vallès. A grade de ministradores e a audiência era exclusivamente composta por austríacos, espanhóis e suíços. Por isso o encontro foi denominado EACH, as iniciais destes países. Apesar disto, fui convidado a ministrar uma palestra pois possuía dados coletados mas ainda não publicados. Ou seja, fui contemplado com 3 dias de hospedagem e alimentação nos arredores de Barcelona graças à pesquisa! Pesquisa esta realizada na FUNDECTO/USP durante o ano de 2013 e que tinha como objetivo inicial avaliar a prevalência da peri-implantite nos implantes Implacil De Bortoli. O tema abordado por mim foi obviamente a peri-implante, mas desta vez com enfoque pontual no diagnóstico, já que tínhamos apenas 10 minutos para expor o assunto e mais 5 minutos para discussão e perguntas.

Por existirem muitas publicações, declarações e opiniões  contraditórias com relação ao diagnóstico da peri-implantite, tentei identificar e mostrar alguma característica patognomônica da doença. Para facilitar a compreensão, segue abaixo os sinais e sintomas clássicos para um correto diagnóstico:

  • Sangramento e/ou supuração causada por sondagem delicada (0.25N) com auxílio de uma sonda com ponta arredondada;
  • Defeito ósseo em formato de cratera e bem delimitado ao redor do implante (Fig.1);
  • Sondagem peri-implantar > 4mm;
  • Implante sem mobilidade.

O enfoque principal da explanação foi o defeito em formato de cratera, que na maioria dos casos exige uma intervenção cirúrgica (Fig.2) para tratamento. A identificação do defeito em cratera é também uma ferramenta importante no diagnóstico diferencial entre perda óssea patológica – peri-implantite – e perda óssea fisiológica (Fig.3). Perda fisiológica que pode ser muitas vezes ocasionada pela proximidade ou até mesmo pela instalação supra-óssea (Fig.4) dos implantes. Neste último caso, a radiografia inicial é imprescindível para observar que não trata-se de perda óssea propriamente dita.

Marco A. Bianchini

Professor adjunto do Departamento de Odontologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Coordenador do Curso de Especialização em Implantodontia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Autor do livro – O passo a passo cirúrgico na Implantodontia.

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Marco A. Bianchini