A importância das trocas das fresas de implantes

Por | 07 de agosto de 2018

O uso excessivo repetido de fresas de implantes, está associado à diminuição da eficiência do corte e ao aumento do desgaste, resultando em elevação da temperatura na fresagem dos implantes (Fig. 1). A geração excessiva de calor causada por fresas desgastadas pode resultar em aumento do dano tecidual, influenciando as taxas de insucesso dos implantes.

 

Figura 1 – Temperatura limite de 47OC não deve ser ultrapassada. O limite não é ultrapassado quando se utiliza fresas eficientes e irrigação abundante.

Os procedimentos de esterilização também afetam a eficiência do corte. A esterilização em autoclave de fresas de implantes resulta em maior resistência à rotação, redução no poder de corte e corrosão da superfície.1, 2, 3 O suposto impacto da reutilização excessiva de fresas associada aos ciclos de esterilização no desempenho das mesmas a longo prazo, foi bastante descrito.1, 2, 3, 5, 6, 7

Fresas de aço inoxidável têm sido amplamente utilizadas para fresagem de implantes dentários, são muito eficientes e reutilizáveis. Entretanto, o uso repetido dessas fresas aumenta progressivamente o desgaste, reduzindo a eficiência de corte e aumentando a geração de calor por fricção.1

O uso da fresa lança para romper o osso cortical reduz os esforços mecânicos, contribuindo para a redução do desgaste da superfície das fresas subsequentes. De fato, a intensidade da geração de calor está diretamente associada à quantidade de osso removido durante a fresagem. E o uso de fresas com diâmetros escalonados está relacionado à redução da pressão e geração de calor durante a fresagem, preservando a eficiência de corte por períodos mais longos.2

A deformação, a rugosidade e a perda de massa, estão diretamente relacionadas à longevidade das fresas, que está associada à geração de calor.14 Alguns estudos avaliaram a geração de calor nos sítios ósseos, comparando o desempenho de fresas de aço e cerâmicas.4,8 Com perfuração de profundidades de 6 e 9 mm, não foram detectadas diferenças estatísticas.4 Além disso, não foram observadas diferenças na geração de calor com fresas de aço inoxidável e cerâmicas durante os procedimentos de perfuração a 13 mm de profundidade, o material da broca pareceu não desempenhar nenhum papel particular.8

Os procedimentos de esterilização também é um fator importante a ser considerado, uma vez que o vapor d’água aumenta o processo de degradação.3 A esterilização em autoclave pode contribuir para o aumento da rugosidade, que está relacionada ao aumento da suscetibilidade à microfratura.9 A esterilização também pode resultar em corrosão,7, 10 redução na eficiência de corte,10, 11 e deformação na região afiada.12

Deformações são sempre detectadas nas bordas cortantes das fresas após múltiplas fresagens (Fig. 2). A perda de corte das fresas sempre ocorre, mas até a 20a perfuração as brocas ainda estão eficientes e a partir deste ponto começam a perder a eficiência, ficando crítica a partir da 35 a perfuração.13

Figura 2 – Imagens de Microscopia Eletrônica de Varredura de fresas antes das perfurações com aumento de 60x (a) e 100x (b), e após 50 utilizações em aumentos de 60x (c) e 100x (d). As setas amarelas indicam as áreas onde houve maior desgaste nas fresas. (Tamburi AR et al, 2012)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Ercoli C, Funkenbusch PD, Lee HJ, et al. The influence of drill wear on cutting efficiency and heat production during osteotomy preparation for dental implants: A study of drill durability. Int J Oral Maxillofac Implants. 2004;19:335–349.
2. Tehemar SH. Factors affecting heat generation during implant site preparation: A review of biologic observations and future considerations. Int J Oral Maxillofac Implants. 1999;14:127–136.
3. Chacon GE, Bower DL, Larsen PE, et al. Heat production by 3 implant drill systems after repeated drilling and sterilization. J Oral Maxillofac Surg. 2006;64: 265–269.
4. Sumer M, Misir AF, Telcioglu NT, et al. Comparison of heat generation during implant drilling using stainless steel and ceramic drills. J Oral Maxillofac Surg. 2011;69: 1350–1354.
5. Sharawy M, Misch CE, Weller N, et al. Heat generation during implant drilling: The significance of motor speed. J Oral Maxillofac Surg. 2002;60:1160– 1169.
6. Oh HJ, Wikesjö UM, Kang HS, et al. Effect of implant drill characteristics on heat generation in osteotomy sites: A pilot study. Clin Oral Implants Res. 2011; 22:722–726.
7. Allsobrook OF, Leichter J, Holborrow D, et al. Descriptive study of the longevity of dental implant surgery drills. Clin Implant Dent Relat Res. 2011; 13:244–254.
8. Harder S, Egert C, Wenz HJ, et al. Influence of the drill material and method of cooling on the development of intrabony temperature during preparation of the site of an implant. Br J Oral Maxillofac Surg. 2013;51:74–78.
9. Piconi C, Maccauro G. Zirconia as a ceramic biomaterial. Biomaterials. 1999; 20:1–25.
10. Harris BH, Kohles SS. Effects of mechanical and thermal fatigue on dental drill performance. Int J Oral Maxillofac Implants. 2001;16:819–826.
11. Cooley RL, Marshall TD, Young JM, et al. Effect of sterilization on the strength and cutting efficiency of twist drills. Quintessence Int. 1990;21:919–923.
12. Jochum RM, Reichart PA. Influence of multiple use of Timedur-titanium cannon drills: Thermal response and scanning electron microscopic findings. Clin Oral Implants Res. 2000;11:139–143.
13. Tamburi AR, Nimiyama LM, Oliveira SH de, Gehrke AS. Tempo de fresagem relacionado ao desgaste de brocas para implantes dentais – estudo piloto. Innov Implant J, Biomater Esthet, 2012; 63: 38-42.