A INGESTÃO DE INIBIDORES DA BOMBA DE PRÓTONS* ESTÁ ASSOCIADA A UM RISCO AUMENTADO DE FALHA DE IMPLANTES DENTÁRIOS

Por Márcio Casati | 24 de novembro de 2017

Chrcanovic BR, Kisch J, Albrektsson T, Wennerberg A. Int J Oral Maxillofac Implants. 2017 Jun 20. doi: 10.11607/jomi.5662. [Epub ahead of print]

OBJETIVO

Investigar a associação entre a ingestão de inibidores da bomba de prótons e o risco de falha dos implantes dentários.

MATERIAIS E MÉTODOS

O presente estudo de coorte retrospectivo baseou-se em pacientes tratados consecutivamente entre 1980 e 2014 com próteses implantossuportadas provenientes de uma clínica especializada. Foram incluídos implantes dentários com design cilíndrico ou cônico e apenas foram considerados casos completos, ou seja, apenas os implantes com informações disponíveis para todas as variáveis ??medidas foram incluídos na análise do modelo de regressão. Os implantes zigomáticos foram excluídos do estudo. Os dados relacionados aos implantes e aos pacientes foram coletados. A análise de sobrevivência multivariada foi utilizada para testar a associação entre a exposição aos inibidores da bomba de prótons (variável preditora) e o risco de falha no implante (variável de resultado), ajustando-se para vários fatores potenciais de confusão.

RESULTADOS

Um total de 3.559 implantes foi colocado em 999 pacientes, com 178 implantes relatados como falhas. As taxas de falha dos implantes foram 12% (30/250) para usuários de inibidores da bomba de prótons e 4,5% (148/3,309) para não usuários. Um total de 45 de 178 (25,3%) implantes foram perdidos antes da conexão de pilar (seis em ??usuários de inibidores da bomba de prótons, 39 em não usuários), com uma proporção de falhas precoce/tardia de 0,34: 1. A ingestão de inibidores da bomba de prótons mostrou ter um efeito negativo estatisticamente significativo para a taxa de sobrevivência do implante (HR 2,811; IC 95%: 1,139 a 6,937; P = 0,025). O bruxismo, o tabagismo, o comprimento do implante, o regime antibiótico profilático e a localização do implante também foram identificados como fatores com efeito estatisticamente significativo na taxa de sobrevivência do implante.

CONCLUSÃO:

Este estudo sugere que a ingestão de inibidores da bomba de prótons pode estar associada a um risco aumentado de perdas de implantes dentários.

* Os inibidores da bomba de prótons formam uma classe de fármacos da qual fazem parte omeprazol, esomeprazol, lansoprazol, pantoprazol e rabeprazol.

Márcio Casati

Professor titular da Disciplina de Periodontia – Universidade Paulista (Unip); Professor associado da área de Periodontia – Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP – Unicamp).

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