A posição da plataforma protética do implante pode influenciar os parâmetros peri-implantares em mandíbulas desdentadas de diabéticos reabilitados com sobredentaduras? Um estudo randomizado de boca dividida com acompanhamento de 24 meses.

Por Márcio Casati | 14 de maio de 2021

Int J Oral Maxillofac Surg. 2021 Mar 12;S0901-5027(21)00088-6. doi: 10.1016/j.ijom.2021.02.025. Online ahead of print.

A Conte, B Ghiraldini, P H F Denófrio, F V Ribeiro, S P Pimentel, M Z Casati, M G Corrêa, F R Cirano.

Este ensaio clínico randomizado avaliou o impacto da posição da plataforma protética, em nível crestal ou supracrestal, de implantes instalados em pacientes com diabetes mellitus tipo 2 reabilitados com sobredentaduras. Vinte e dois pacientes com diabetes mellitus tipo 2 desdentados mandibulares foram submetidos à colocação de implante para retenção de sobredentadura. Por meio de um delineamento de boca dividida, dois implantes (Implacil De Bortoli) foram instalados: um ao nível supracrestal e outro ao nível crestal. As análises clínicas, imunoenzimáticas e tomográficas foram realizadas na colocação da prótese (baseline) e após 6, 12 e 24 meses após o carregamento dos implantes. Maior profundidade de sondagem peri-implantar foi observada em implantes instalados ao nível da crista óssea, quando comparados com implantes supracrestais, em todos os períodos de avaliação (baseline P = 0,047; 6 meses P = 0,014; 12 meses P = 0,027; 24 meses P = 0,036). De forma semelhante, maior nível de inserção clínica foi detectado em implantes ao nível da crista quando comparados com implantes supracrestais em todos os períodos de avaliação (baseline P = 0,003; 6 meses P = 0,045; 12 meses P = 0,029; 24 meses P = 0,026). Os implantes ao nível da crista demonstraram aumento da quantidade de interleucina-6 em 6 meses (P = 0,043) e maior IL-17 (P = 0,021), IL-21 (P = 0,034) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α ) (P = 0,030) em 24 meses em comparação com os implantes supracrestais. O grupo de implantes com plataforma protética colocadas ao nível da crista também revelou perda óssea aumentada aos 6 (P = 0,032), 12 (P = 0,043) e 24 meses (P = 0,028) quando comparado com implantes supracrestais. Em conclusão, este estudo mostrou que os implantes colocados ao nível supracrestal, em pacientes com diabetes mellitus tipo 2 reabilitados com sobredentaduras, apresentam menor perda óssea, melhores parâmetros clínicos e modulação benéfica de biomarcadores imunoinflamatórios peri-implantares quando comparados com implantes posicionados ao nível crestal.

Márcio Casati

Professor titular da Disciplina de Periodontia – Universidade Paulista (Unip); Professor associado da área de Periodontia – Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP – Unicamp).

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Márcio Casati