Design dos implantes , conexões e biomecânica : A importância na preservação da crista óssea marginal

Por Luiz Carlos Zanatta | 11 de setembro de 2017

Trinta anos! Outro dia é que me dei conta que já se passaram 30 anos desde que iniciei na implantologia. E nestas 3 décadas muita coisa mudou. Do início da década de 80, com os implantes de agulhas ou pinos,  implantes laminados , os parafusos, os justa –ósseos, convivíamos com uma implantologia, porque não dizer quase empírica, com raros artigos científicos publicados, e alcançando um índice de sobrevivência muito aquém dos alcançados atualmente, e mesmo com estas dificuldades a implantologia foi evoluindo até chegarmos aos dias de hoje.

Com o advento da osseointegração, posso afirmar com uma margem muito pequena de erro que a Implantologia foi das especialidades da Odontologia que mais evoluiu, e  que sem dúvida nenhuma, uma das que mais tem contribuído com a evolução da odontologia com diversos artigos científicos em publicações nacionais e internacionais.

Passamos de uma implantologia que visava quase que exclusivamente a devolução da função mastigatória, para uma Implantologia que busca a excelência estética e funcional. A Implantologia de hoje é totalmente embasada em ciência, e busca incessantemente alcançar a perfeição mecânica e estética. Neste contesto muitas alterações foram realizadas em relação à macrogeometria dos implantes, do tratamento de superfície  e dos diversos tipos de conexão protética.

A busca desta excelência, nos leva a refletir  sobre tópicos que são costumeiramente citados na literatura como índices de sucesso das reabilitações implanto suportadas, como por exemplo a reabsorção óssea peri implantar.

A grande vilã da implantologia foi e continua sendo a reabsorção óssea peri- implantar, e a implantologia busca de uma forma frenética, porém consciente uma solução para minimizar ou impedir que ela aconteça. Devemos parar para pensar se uma reabsorção a nível de crista óssea marginal tem que ser vista e tratada  como um fato normal ou se temos que, de uma forma ou de outra, impedir que ela aconteça.

Mudanças no design dos implantes foram sendo realizadas e estudadas no sentido de minimizar ou impedir que tal reabsorção aconteça. A literatura é riquíssima em trabalhos que mostram claramente que implantes com design totalmente cônicos, são muito mais eficazes em dissipar as cargas mastigatórias fazendo com que as mesmas sejam transferidas para o osso medular de uma forma muito mais eficiente. Porém quando falamos em design dos implantes devemos considerar não só a macro geometria, mas também a presença ou não de tratamento de superfície,  o design da área de pescoço, e o tipo de encaixe protético.

A forma como as cargas mastigatórias são dissipadas no conjunto prótese, abutement – implante é de fundamental importância para a manutenção do nível de crista óssea marginal. Elas devem ser transferidas ao osso adjacente , preferencialmente em uma orientação e magnitude que proporcione condições para a manutenção os tecidos viáveis, próximo ao seu estado fisiológico normal. A micro movimentação gerada entre prótese/abutement/implante,influencia diretamente neste processo.

A manutenção do nível da crista óssea marginal, é multifatorial e é influenciada por fatores como; trauma cirúrgico,design dos implantes manutenção do espaço biológico, micro gaps, dissipação de cargas,  e tipo do encaixe do abutement.

A área de pescoço dos implantes é 65 % mais suceptível às forças de cisalhamento quando comparadas às forças de compressão, assim sendo o desenho da região do pescoço associado à macrogeometria dos implantes, tem fundamental importância para minimizar o pico de estresse e consequentemente de preservar o osso marginal.

Elementos de retenção na região de pescoço , como as micro espiras, são citados na literatura como tendo a possibilidade de aumentar de  2,64 a 4,79 vezes a capacidade do implante em resistir as cargas mastigatórias.

Independente do nível em que se encontra o implante em relação à crista óssea, esta é a região que sempre sofre maiores tensões, desenhos diferentes provocam uma resposta diferente e sugerem uma maior ou menor concentração de cargas. Assim sendo a escolha de uma macrogeometria totalmente cônica parece ser muito mais eficiente nas dissipações das cargas mastigatórias. A escolha do tipo de conexão a ser utilizada, como por exemplo HE, HI ou cone Morse influenciará diretamente na concentração de carga na região de crista óssea marginal. Ao associarmos encaixes protéticos com plataforma switching a um design totalmente cônico, a resposta do osso certamente será melhor frente às cargas mastigatórias, tendo como resultado uma maior preservação dos níveis ósseos .

Implantes de design cônicos provocam um menor aquecimento durante o preparo, e colocação, que associados a um sistema eficiente de irrigação interna e externa, promovem um menor trauma e aquecimento ósseo, que influenciarão posteriormente na manutenção óssea da região. Segundo o protocolo preconizado para a colocação de implantes com conexão Cone Morse, os mesmos devem ser colocados de 1 a 2 mm abaixo da cortical, detalhe que biomecanicamente influencia positivamente na dissipação das cargas mastigatórias, fazendo com que a dissipação das cargas tenha início em osso medular, fisiologicamente mais visco elástico e menos friável do que o osso cortical, evitando assim que ocorram micro trincas do osso cortical, que facilitariam micro movimentações e infiltrações bacterianas

Concluindo, a literatura é vasta e rica em trabalhos que mostram que o desenho do pescoço, associado à macrogeometria cônica dos implantes, influencia diretamente na dissipação das cargas mastigatórias, sugerindo uma maior ou menor reabsorção óssea na região da crista óssea marginal.

Implantes totalmente cônicos com conexão protética cone Morse, provocam menos estresse na região de crista óssea e consequentemente maior preservação da crista óssea marginal, quando comparados aos implantes cilíndricos com conexão de hexagono externo.

Luiz Carlos Zanatta

Especialista Master  em Implantologia   Oral   pelo   Conselho  Federal  de  Odontologia, Mestre  em  Clínica Odontológica com  concentração  em  Implantodontia  pela  Universidade  Paulista – UNIP, Doutorando em Implantologia pela U.N.G, Professor  no Curso de Atualização em Implantodontia Oral da FUNDECTO – USP, Professor  no Curso de Especialização  em Implantodontia Oral da APCD Regional de São Bernardo do Campo, Professor no Curso de Especialização em Implantodontia Oral da Universidade Paulista – UNIP e Professor no Curso de Atualização em Implantodontia  Oral em Cartagena Colômbia. Coordenador do curso de especialização da NEOP  Passos –MG

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Luiz Carlos Zanatta