Equalização de substratos no setor anterior

Por Diego Klee de Vasconcellos | 11 de julho de 2022

Por Diego Klee, César Augusto Magalhães Benfatti e Karina Nunes Pessoa.

Casos clínicos que envolvem coroas totais sobre dentes ou implantes, associados a facetas em elementos adjacentes no setor anterior, representam um dos grandes desafios estéticos da Odontologia Restauradora. São situações que demandam o emprego simultâneo de diferentes desenhos protéticos e sistemas cerâmicos.

Devemos ter muito cuidado ao eleger os sistemas cerâmicos que serão utilizados, uma vez que os materiais disponíveis apresentam comportamentos óticos e mecânicos diferentes, pois sua microestrutura e seu processamento laboratorial são distintos. A harmonização destes variados sistemas cerâmicos é extremamente desafiadora, com resultados estéticos muitas vezes aquém do desejado. Os problemas que podem surgir na integração estética entre os diferentes tipos de restaurações cerâmicas estão diretamente relacionados às propriedades óticas inerentes aos materiais selecionados. Conduzir o caso com coroas livres de metal preparadas para receberem facetas cerâmicas, assim como foram preparados os dentes naturais adjacentes, poderá permitir um resultado final mais previsível.

No caso clínico apresentado, a paciente foi tratada com um implante que substituiu o incisivo central superior esquerdo (elemento 21). O pilar protético sobre o implante foi confeccionado por meio da tecnologia CAD/CAM em zircônia, posteriormente recoberta com cerâmica feldspática, simulando o substrato do incisivo superior direito (elemento 11), no qual planejou-se uma faceta cerâmica – pela queixa da paciente em relação ao seu escurecimento. Este procedimento permitiu ao técnico a confecção de duas facetas, uniformizando o uso dos materiais cerâmicos.

A equalização dos substratos no setor anterior permite a padronização das peças cerâmicas finais e garante um resultado controlado, harmonioso e natural, fornecendo ao cirurgião-dentista uma opção segura e previsível para o tratamento em situações que envolvam coroas sobre dentes ou implantes e facetas no setor anterior.

Figuras 1 a 3 – Imagens iniciais do caso, evidenciando a fratura do dente 21. Após a remoção do fragmento, constatou-se a necessidade de exodontia seguida da colocação de um implante osseointegrável.

Figuras 4 e 5 – A exodontia minimamente traumática do dente 22 foi realizada e o implante foi instalado no local da extração (Due Cone 3,5/11 mm – Implacil De Bortoli).

Figuras 6 e 7 – O pilar protético foi selecionado e instalado (munhão CM, linha Smart – Implacil De Bortoli), e uma coroa de transição foi confeccionada utilizando o próprio dente da paciente.
Figura 8 – Após três meses, foi confeccionada uma coroa cerâmica com infraestrutura em zircônia tetragonal estabilizada por ítria (Y-TZP) e revestimento em cerâmica feldspática sobre o pilar protético base T (Implacil De Bortoli). Perceba na face vestibular da coroa o esboço inicial de um preparo para faceta cerâmica.

Figuras 9 e 10 – Pilar protético posicionado em boca. Neste momento, foram realizados o preparo para faceta do dente 11 e os ajustes no preparo do dente 21.
Figura 11 – Facetas em cerâmica reforçada com leucita (IPS
Empress CAD – Ivoclar Vivadent).
Figura 12 – Isolamento absoluto para a cimentação adesiva das
facetas cerâmicas.
Figuras 13 e 14 – Diferentes aspectos após a cimentação adesiva das facetas cerâmicas. Observe a padronização do resultado nesta reabilitação estética.

* Este artigo foi publicado na revista ImplantNews em 2019.



Diego Klee de Vasconcellos

– Especialista em Implantodontia e Prótese Dentária – CFO;
– Mestre em Implantodontia – UFSC;
– Doutor em Odontologia Restauradora / Especialidade Prótese Dentária – UNESP FOSJC;
– Professor Associado da Disciplina de Prótese Dentária – Departamento de Odontologia – Centro de Ciências da Saúde – UFSC.

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