Implantes em osso de baixa densidade.

Por Marco A. Bianchini | 18 de agosto de 2021

Com informações de artigo sobre o tema, Marco Bianchini discute a osseointegração adequada de implantes em osso de baixa densidade.

A técnica de instalação ideal e a macrogeometria dos implantes para a obtenção de uma osseointegração adequada em tecido ósseo de baixa densidade continua sendo um desafio na Implantodontia. Isto ocorre porque a estabilidade inicial depende, principalmente, de fatores como a anatomia e qualidade óssea, além do desenho da macroestrutura do implante e da técnica cirúrgica utilizada.

O tecido ósseo de baixa densidade precisa de estímulos adequados para suportar e dissipar adequadamente as cargas recebidas após a instalação dos implantes. A baixa densidade óssea, encontrada em algumas regiões da maxila e mandíbula, ocorre devido à falta de estímulos, ou seja, são áreas onde tivemos a perda de dentes e, portanto, não há mais o estímulo promovido pela raiz do dente dentro do osso. Assim, nesta área o osso tem um amplo espaço medular e, consequentemente, uma baixa densidade.

Recentemente tive o prazer de ver publicado um artigo que aborda de maneira forte este tema. O estudo faz parte de uma sequência de trabalhos orientados pelo professor Sergio Gehrke e sua equipe que buscam comprovar que as modificações na macroestrutura dos implantes, bem como a utilização de sequências de brocas diferentes, podem melhorar e acelerar a osseointegração em áreas de osso com baixa densidade.

Este estudo in vitro buscou verificar possíveis diferenças que podem beneficiar o comportamento dos implantes instalados em áreas de baixa densidade óssea. Para isso, implantes com duas macrogeometrias diferentes foram instalados em dois blocos diferentes de poliuretano de baixa densidade, usando três diferentes técnicas de osteotomia. A estabilidade inicial, resistência à remoção e o peso do resíduo do material ósseo depositado nos implantes foram avaliados.

Dois implantes com macrogeometrias distintas, fabricados pela Implacil De Bortoli (São Paulo, Brasil), foram testados. São eles: implante Due Cone (DC) de formato cônico, com maior diâmetro de 4 mm e uma parte curta autorrosqueante (2 mm) na porção apical; e implante Maestro, também de formato cônico, com maior diâmetro de 4 mm, com um maior autotravamento (3 mm) na porção apical e câmaras de cicatrização entre as roscas (0,2 mm de profundidade e 0,5 mm de diâmetro). A Figura 1 ilustra os implantes avaliados.

Figura 1 – Implantes da marca Implacil De Bortoli (São Paulo, Brasil) avaliados na pesquisa.

A segunda variável testada para determinar os grupos foi a sequência de perfuração usada para realizar a osteotomia:

  • Sequência 1 (s1) – osteotomia recomendada pelo fabricante, usando uma broca inicial de 2 mm em uma velocidade de 1.200 rpm, uma broca cônica de 3,5 mm a uma velocidade de 800 rpm e uma broca cônica de 4,0 mm a uma velocidade de 800 rpm;
  • Sequência 2 (s2) – osteotomia subdimensionada, usando uma broca inicial de 2 mm a uma velocidade de 1.200 rpm e uma broca cônica de 3,5 mm a uma velocidade de 800 rpm;
  • Sequência 3 (s3) – osteotomia extrasubdimensionada, usando uma broca inicial de 2 mm, uma broca-piloto (2-2,8 mm) e uma broca cilíndrica de 2,8 mm, tudo a uma velocidade de 1.200 rpm.

A Figura 2 ilustra a sequência de brocas avaliadas na pesquisa.

Figura 2 – Sequência de brocas Implacil De Bortoli (São Paulo, Brasil) utilizadas na pesquisa.

Os resultados deste estudo in vitro demonstraram que a variação na osteotomia com perfurações subdimensionadas aumenta os valores de estabilidade inicial, resistência à remoção e quantidade de material na superfície dos implantes. Além disso, as câmaras de cicatrização presentes na macrogeometria do implante Maestro melhoram a quantidade de osso depositado na superfície deste tipo de implante, o que pode ser benéfico para o processo de osseointegração.

Estudos como este demonstram uma forte tendência atual de valorizarmos cada vez mais a técnica cirúrgica empregada no preparo do leito ósseo para receber os nossos implantes. O correto “tratamento” cirúrgico deste osso, procurando minimizar os traumas associados com um desenho de implante favorável à proliferação óssea, certamente possibilitará um maior sucesso da osseointegração em ossos de baixa densidade.

Referência:

Gehrke SA,  Scarano A, de Lima JHC, Bianchini MA, Dedavid BA, Piedad N, De Aza PN. Effects of the Healing Chambers in Implant Macrogeometry Design in a Low-Density Bone Using Conventional and Undersized Drilling. Journal of International Society of Preventive & Comunity Dentistry. Vol 11/Issue 4 July-August 202.

Fonte: https://vmcom.com.br/vmblog/implantes-em-osso-de-baixa-densidade/

Marco A. Bianchini

– Professor Associado IV do Departamento de Odontologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC);
– Autor dos livros: “O passo a passo cirúrgico na Implantodontia”; “Alterações Peri-Implantares” e
“Meu nome é Implante: A Biografia do Dr. Nilton De Bortoli.”

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