Manejo do tecido peri-implantar para mudança do fenótipo gengival ao redor do implante no momento da reabertura na fase do cicatrizador utilizando fio de PTFE (Cytoplast).

Por Ronaldo Fabiano | 28 de fevereiro de 2022

Autor

Ronaldo Gomes Fabiano – Doutorando em Implantodontia (UNG-SP); Mestre em Implantodontia (UNG-SP); Especialista em Implantodontia (FAPI-SP); Graduado em Odontologia (UNICID-SP); Consultor Técnico e Científico Implacil De Bortoli; Professor Responsável do Curso de Aperfeiçoamento GrupoGo!; Professor Responsável do Curso de Especialização Facsete/GrupoGo!.

Co-autores

Flavio Xavier Almeida – Doutorando em Implantodontia (UNG-SP); Mestre em Implantodontia (SL Mandic-SP); Especialista em Prótese Dentária (SL Mandic-SP); Especialista em Periodontia (UNESP/APCD-SP); Graduado em Odontologia (UFES-ES).

Isadora Gonçalves Cometti Especialista em Implantodontia (ABO-ES) Graduada em Odontologia (UFES-ES)

Objetivo

O objetivo deste relato de caso é mostrar o ganho do tecido queratinizado peri-implantar em um implante unitário através da técnica de enxerto de tecido conjuntivo subepitelial removido do palato.

Introdução

A quantidade de tecido queratinizado ao redor do implante é um fator fundamental para um melhor contorno e acomodação da prótese implanto-suportada, favorecendo a estética e a prevenção de inflamação peri-implantar.

Alguns estudos pré clínicos sugerem que a ausência desse tecido aumenta a suscetibilidade à peri-implantite. Portanto, algumas técnicas para melhorar as características morfológicas (fenótipo gengival) do tecido, têm sido propostas por alguns autores como retalhos pediculados, enxerto gengival livre ou subepitelial.

Algumas revisões sistemáticas recentes, relataram que o retalho posicionado apical com ou sem enxerto de tecido conjuntivo ou enxerto gengival livre ou substituto dérmico foram eficazes para aumentar o volume do tecido peri-implantar.

Algumas questões são indagadas neste tipo de procedimento:

– Quais são os benefícios clínicos do procedimento de aumento de tecido queratinizado?

– Qual é a melhor técnica para aumentar os tecidos moles?

– Qual é o enxerto mais eficaz para melhorar a espessura do tecido mole peri-implantar?

Relato do caso:

Figura 1: Defeito do tecido peri-implantar da região do implante 24.
Figura 2: Reabertura do implante do tipo cone morse (Implacil Maestro), observando o defeito ósseo, porém suficiente para ancoragem e manutenção do implante
Figura 3: Remoção do enxerto subepitelial na porção palatina da mesma região que foi feita a reabertura, diminuindo a morbidade do paciente.
Figura 4: Sutura de estabilização do enxerto do tipo colchoeiro horizontal, utilizando fio monofilamentado de politetrafluoretileno (PTFE) 3.0 – 18’’/45cm com agulha circular de 3/8 – 19mm.
Figura 5: Posicionamento do enxerto subepitelial e acomodamento sobre o defeito ósseo.
Figura 6: Instalação de cicatrizador com perfil de 4,5mm de diâmetro e altura de transmucoso (cinta) de 4,5mm.
Figura 7: A sutura simples do retalho na região das papilas com fio de PTFE previne uma deiscência da sutura, pois o fio acompanha o edema através da sua elasticidade.
Figura 8: Acompanhamento de 15 dias de pós-operatório.
Figura 9: Acompanhamento de 45 dias de pós-operatório.
Figura 10: Ganho de volume vestibular, corrigindo o defeito inicial.

Conclusão

Com base nos dados obtidos na revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados de Cairo et al. em 2019, conseguimos algumas respostas para as questões indagadas como:

1. O aumento do tecido mole nos locais do implante proporcionou um aumento significativo da quantidade de tecido mole peri-implantar na observação de curto prazo;

2. A adição de enxerto de tecido conjuntivo está associada a uma melhor estabilidade do nível ósseo em implantes pós-extrativos, mesmo que a magnitude do benefício pareça ser mínima do ponto de vista clínico;

3. O enxerto de tecido conjuntivo é mais eficaz que o substituto dérmico para melhorar a espessura do tecido mole peri-implantar antes do tratamento protético;

4. Os estudos clínicos randomizados incluídos mostraram acompanhamentos de curto prazo (até 2 anos) e o benefício a longo prazo do aumento do tecido mole no local do implante ainda não está estabelecido;

5. Outros estudos clínicos randomizados devem ser projetados para reduzir possíveis vieses metodológicos, bem como para incluir resultados clínicos e relatados pelo paciente.

Este relato de caso mostrou que a viabilidade no momento da reabertura utilizando enxerto de tecido conjuntivo subepitelial da porção palatina da mesma região do implante para ganho de tecido queratinizado, proporcionou resultados favoráveis como melhor morbidade do paciente e melhor aspecto estético funcional.

Referências:

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