Medicação antirreabsortiva e antiangiogênica na Odontologia: fatores de risco, tratamento da MRONJ e informações recentes

Por Sérgio Jorge Jayme | 14 de novembro de 2017

O objetivo desta revisão foi atualizar o conhecimento básico sobre medicações antiangioênicas e antirreabsortivas, além dos bifosfonatos, e discutir condutas clínicas, protocolos de tratamento e gerenciamento da osteonecrose que podem ser adotados para benefício dos pacientes na Implantodontia. Devido à ocorrência de novos casos de osteonecrose após o uso de medicações antiangiogênicas e antirreabsortivas, a American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons (AAOMS) sugeriu a mudança de nomenclatura Bronj (Bisphosphonate-related osteonecrosis of the jaw) para MRONJ (Medication-related osteonecrosis of the jaw). O tipo de medicação e a indicação da mesma (câncer, mieloma múltiplo, osteoporose/osteopenia) devem ser levados em consideração no manejo dos pacientes. Há controvérsias sobre a suspensão das medicações (Drug Holiday) e testes que predigam o risco de MRONJ. Novas pesquisas realizadas em cobaias procuram determinar o efeito do alendronato ministrado sistemicamente, após a cirurgia, sobre a osteointegração de implantes, neoformação óssea e reabsorção de enxerto ósseo. Outra abordagem de pesquisa sobre bifosfonatos aplicados sobre a superfície dos implantes, com o objetivo de melhorar a osteointegração, está sendo realizada em humanos e em cobaias. A constante atualização dos pro ssionais de saúde se faz necessária para tratamentos mais e cientes e com menor risco aos pacientes.

Unitermos – Medicação antirreabsortiva; Bifosfonatos; Medicação antiangiogênica; Osteonecrose.

CONCLUSÃO

Após cinco anos do último documento de posição, a AAOMS incluiu mais duas classes de medicamentos na lista dos que podem causar osteonecrose dos maxilares: os antiangiogênicos e outra classe de antirreabsortivos – denosumab. Ainda há controvérsia quanto à e cácia do uso de marcadores sistêmicos da remodela- ção óssea, para avaliar o risco de desenvolvimento de MRONJ.

Apesar da advertência sobre o risco de osteonecrose dos maxilares, publicada no ano de 2004 pela Novartis nas bulas dos medicamentos pamidronato (Aredia) e zoledronato (Zometa), no ano de 2005 essa advertência ter sido ampliada aos bifosfonatos de uso oral, e em 2014 a lista de medicamentos causadores de osteonecrose ter aumentado, muitos pro ssionais de saúde ainda desconhecem ou minimizam o risco ao qual os pacientes estão expostos.

Muitos estudos estão sendo desenvolvidos em diversas abordagens de pesquisa para o entendimento da osteonecrose dos maxilares, sua siopatologia, seu tratamento e prevenção. E faz-se necessária a constante atualização de todos os pro ssionais de Odontologia para tratamentos mais e cientes e com menor risco aos pacientes.

 

Sérgio Jorge Jayme

Doutorado em reabilitação oral pela Universidade de São Paulo; é mestre em Implantodontia; especialista em Prótese Dentária; pós-graduado em Periodontia e presidente da Academia Brasileira de Osseointegração.

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Sérgio Jorge Jayme