Por que os implantes subperiosteais não deram certo?

Por Marco A. Bianchini | 30 de novembro de 2021

Marco Bianchini conta a história dos implantes subperiosteais e destaca a participação de grandes nomes da Implantodontia antes de P-I Brånemark.

Em 2019, eu tive o grande prazer de ver publicada a biografia do Dr. Nilton De Bortoli, escrita por mim após vários anos de convivência com ele, que foi o fundador da empresa Implacil De Bortoli. Neste ano, o Dr. Nilton De Bortoli completa 90 anos de vida e continua conversando muito sobre Implantodontia. Em uma dessas nossas últimas conversas, eu fiz uma pergunta ao Niltão, que é como carinhosamente nós o chamamos: “Por que os implantes subperiosteais não deram certo?”.

Para entendermos a resposta muito interessante que o Niltão me deu, vale a pena relembrarmos como funcionavam estes implantes. Na verdade, os implantes subperiósteos, também chamados de justaósseos, eram implantes de superfície. Ou seja, não penetravam na intimidade do tecido ósseo, mantendo uma relação de contato com o osso por justaposição. Preliminarmente, eles foram desenvolvidos pelo sueco Gustav Dahl, em 1943, e contavam com uma estrutura metálica de cromo-cobalto-molibdênio que era fabricada sobre um modelo de gesso previamente obtido do osso exposto do paciente durante a cirurgia. As Figuras 1 e 2 ilustram este tipo de implante.

Figuras 1 e 2

Niltão conta que os justaósseos inferiores raramente davam problemas, mas os superiores acabaram incomodando bastante.

Niltão recorda que o Dr. Sérgio Jayme mostra sempre um caso de justaósseo inferior feito pelo Niltão na década de 1970. Ele trocou a prótese apenas porque estava muito desgastada, mas os implantes estavam lá, bem firmes, e o justaósseo estava perfeito. O Dr. Sérgio Jayme continua dando manutenção neste caso, que agora já está com mais de 40 anos de acompanhamento.

Eu mesmo me lembro bem deste dia que o Dr. Sérgio Jayme apresentou este caso. Foi no primeiro Meeting Internacional da Implacil De Bortoli, em 2012, e eu estava sentado ao lado do Dr. Nilton De Bortoli quando o Dr. Sérgio Jayme fez sua apresentação e homenageou o Niltão. Ao fim da apresentação, foram mostradas imagens da paciente com os implantes em perfeitas condições e com uma prótese nova sobre os implantes antigos. Tratava-se de uma prótese com dentes maiores (houve a necessidade de aumento da dimensão vertical), pois a antiga havia se desgastado com o tempo. Niltão olhou tudo aquilo e cochichou no meu ouvido: “Ficam aumentando muito o tamanho desses dentes e essa dimensão vertical da paciente, e daqui a pouco vão perder os meus implantes”.

A história da Implantodontia vai muito além dos implantes lançados por P-I Brånemark. Antes dele, muitos profissionais buscavam incansavelmente encontrar uma solução para os edêntulos totais ou parciais. Jamais devemos menosprezar o esforço destes colegas que, sem a tecnologia que dispomos atualmente, conseguiram resultados importantes e que serviram de base para Brånemark e para muitos outros profissionais da Implantodontia até os dias de hoje.

Referência:

Biachini MA. Meu nome é implante: a biografia do Dr. Nilton De Bortoli (1ª ed.) São Paulo: quintessence Editora Ltda., 2019.

Fonte: https://bit.ly/3rcpuOM

Marco A. Bianchini

– Professor Associado IV do Departamento de Odontologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC);
– Autor dos livros: “O passo a passo cirúrgico na Implantodontia”; “Alterações Peri-Implantares” e
“Meu nome é Implante: A Biografia do Dr. Nilton De Bortoli.”

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