Selamento alveolar com cicatrizador personalizado após colocação imediata do implante

Por Diego Klee de Vasconcellos | 27 de junho de 2022

Por Diego Klee e Rodrigo Cunha

A combinação de extração dentária e colocação do implante no mesmo procedimento é uma alternativa de tratamento interessante pelos benefícios clínicos que proporciona, principalmente com a redução do número de cirurgias e do tempo global de tratamento. Dentre as desvantagens, podem ser destacadas a dificuldade no posicionamento ideal, a falta de estabilidade primária e a ausência de fechamento primário do retalho.

A literatura ampara com segurança esta modalidade, demonstrando taxas de sobrevivência semelhantes às encontradas em implantes posicionados em sítios cicatrizados. A implantação imediata deve ser realizada em condições clínicas favoráveis, com procedimentos técnicos bem controlados.

A seleção adequada do implante, bem como seu correto posicionamento tridimensional, é um fator relevante para o sucesso. O exato posicionamento irá permitir o espaço apropriado entre a tábua óssea vestibular e a superfície do mesmo, para a regeneração com substitutos ósseos aloplásticos ou xenógenos. Estes procedimentos podem ser associados a um enxerto conjuntivo subepitelial.

Os implantes que atingirem um torque de inserção ≥ a 32 Ncm podem ser imediatamente carregados com coroas unitárias de transição não oclusivas. Abaixo deste torque, em vez de uma coroa de transição, instala-se um cicatrizador personalizado contendo um perfil transmucoso com as mesmas características que a coroa provisória teria.

Os objetivos do selamento alveolar com cicatrizador customizado são: selar o sítio cirúrgico respeitando o perfil do alvéolo de extração; estabilizar o coágulo sanguíneo e favorecer a regeneração óssea com o material substituto; evitar o colapso de tecidos moles durante o período de cicatrização; e desenvolver um perfil de emergência protético ideal, baseado na anatomia do dente extraído, sem receber carga oclusiva.

FIGURA 1 – Situação clínica inicial: elemento 11 com indicação de
exodontia e colocação imediata de implante osseointegrável.

FIGURAS 2 e 3 – Extração do elemento 11 e instalação imediata de implante osseointegrável por cirurgia guiada (Maestro 3,5 mm x 11 mm – Impacil De Bortoli). O espaço entre a tábua óssea vestibular e a superfície do implante é preenchido com substituto ósseo de lenta reabsorção.

FIGURA 4 – Utilizando um pilar em titânio para prótese provisória (Impacil De Bortoli) e resina composta (Filtek Z350 XT Flow, 3M) foi criado um cicatrizador personalizado respeitando o contorno do alvéolo de extração, com o perfil de emergência baseado na anatomia da coroa e a arquitetura tecidual desejada.
FIGURA 5 – Ao instalar este dispositivo, promove-se o selamento do sítio cirúrgico, estabilizando o coágulo sanguíneo e favorecendo a regeneração óssea com o material substituto.
FIGURA 6 – Perfil de emergência protético após três meses. O selamento alveolar com cicatrizador personalizado evita o colapso de tecidos moles durante o período de cicatrização e desenvolve um perfil de emergência protético ideal.
FIGURAS 7 a 9 – O caso foi finalizado em fluxo digital chairside (Cerec, Dentsply Sirona), empregando-se um abutment personalizado em zircônia (Cerec Zircônia Meso, Dentsply Sirona) em conjunto com o pilar protético pré-fabricado em titânio do tipo Ti-Base (Base T, Implacil De Bortoli), associado a uma coroa cerâmica cimentada (Cerec Blocs, Dentsply Sirona).
FIGURA 10 – Radiografia periapical final do caso. Destaque para a estabilidade do tecido ósseo.


* Este artigo foi publicado na revista ImplantNews em 2021.



Diego Klee de Vasconcellos

– Especialista em Implantodontia e Prótese Dentária – CFO;
– Mestre em Implantodontia – UFSC;
– Doutor em Odontologia Restauradora / Especialidade Prótese Dentária – UNESP FOSJC;
– Professor Associado da Disciplina de Prótese Dentária – Departamento de Odontologia – Centro de Ciências da Saúde – UFSC.

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Diego Klee de Vasconcellos