Transposição do Nervo Alveolar Inferior para colocação de implantes

Por Sérgio Jorge Jayme | 11 de setembro de 2017

Transposição do Nervo Alveolar Inferior para colocação de implantes

Implacil De Bortoli

Sérgio Jayme

Doutor em Reabilitação Oral – USP

Mestre e especialista em Implantodontia Oral

Especialista em Prótese Dentária

Pós-graduado em Periodontia

Presidente da Academia Brasileira de Osseointegração

Coordenador do Curso de Especialização em Implantodontia- APCD Vila Mariana

Membro da Academy of Osseointegration – A O – Implanty Dentistry

Autor de vários capítulos de livros e artigos em periódicos nacionais e internacionais

Resumo

A colocação de implantes na parte posterior da mandíbula esta geralmente limitada pela altura do osso entre o canal do nervo alveolar e a crista óssea do nervo alveolar.

Apresentamos esta técnica cirúrgica como uma variação da técnica de lateralização do nervo alveolar, de forma que sua manipulação é menor que a técnica original e como consequência a alteração da sensibilidade é menor.

Atualmente, temos usado em todos os casos o LPRF sobre o nervo alveolar em forma de membrana e também em conjunto com HA formando a massa de enxerto. Desta forma, ele age como agente cicatrizante diminuindo a parestesia transitória de uma forma bem significativa.

Para evitar riscos maiores é necessário, sempre que possível, obter uma tomografia computadorizada com um software específico para Implantodontia no planejamento inicial desses casos, minimizando o risco de lesão de nervo e orientando a posição tridimensional exata do feixe em relação à mandíbula, evitando assim o risco de remover osso sem necessidade.

Planejamento

  1. Exame clinico intra-oral e extra-oral minucioso;
  2.  Moldagem e confecção de modelos inferior e superior articulados em articulador semi-ajustavel para verificação da altura entre os arcos;
  3. Analise dos exames de sangue: hemograma completo, coagulograma, creatinina, taxa de glicose, cálcio e fósforo;
  4. Analise radiográfica: rx panorâmico, rx periapical e tomografia computadorizada da região e se necessário prototipagem.

A transposição do nervo alveolar é o tipo de cirurgia que devemos fazer com anestesia local, sem sedação ou anestesia geral, porque na anestesia geral a posição do paciente é deitado na mesa cirúrgica e geralmente a mandíbula tem um grau acentuado de reabsorção óssea ficando impossível de realizar a cirurgia pelo acesso e falta de visualização, o assoalho da boca sobe dificultando a cirurgia. Na sedação o paciente pode se debater colocando em risco o sucesso do procedimento.

Devemos ter o completo controle e o paciente deve estar consciente, cooperar e obedecer a todas as solicitações durante a cirurgia.

Descrição da Técnica

Depois de fazermos um planejamento detalhado na tomografia e modelo de estudo ou protótipos da mandíbula obtidos através da tomografia computadorizada, como tamanho e numero dos implantes, confeccionamos um guia cirúrgico em acrílico e marcando com precisão a localização dos implantes a serem instalados. Fig. 1 e 2

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Planejamento da incisão : a incisão poderá ser planejada no modelo de estudo e demarcada com caneta ou lápis cirúrgico na boca facilitando sua visualização (fig. 3 e 4). A  incisão deve ser maior que a área a ser operada indo da parte distal posterior até o último dente remanescente do lado a ser operado, devendo ser na crista óssea terminando em sulcular até os  dois últimos dentes ou poderá ir em direção ao lábio aumentando assim a visualização do campo a ser operado.

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Anestesia : deve ser somente infiltrativa no inicio da cirurgia, fazemos o descolamento do tecido, exposição do forâmen mentoniano, colocação do guia cirúrgico e marcamos com a fresa piloto ou lança a posição dos implantes a serem instalados.

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Demarcação da osteotomia retangular através de orifícios feitos com fresa cirúrgica esférica para peça reta ou uso do piezo surgery é mais indicado (Fig 6). Normalmente marcamos 3 mm acima e abaixo do forâmen mentoniano e a extensão do retângulo deve ir além da marcação do ultimo implante distal.

Quanto maior a janela retangular menor será a manipulação do nervo alveolar inferior, consequentemente a sensibilidade do nervo será menos alterada.

Remoção do osso vestibular com um cinzel curvo para ter acesso ao nervo alveolar (Fig 7).

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Osteotomia óssea ao redor do foramen mentoniano para liberação total do nervo.

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Depois da remoção do bloco ósseo retiramos o osso medular com curetas de Lucas ou molt até a completa visualização do nervo alveolar.

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Colocação do guia cirúrgico e marcação do local ideal dos implantes.

Descolamento do nervo alveolar, deixando-o solto dentro do canal. Podemos colocar um túnel check  ou fresa deslocando o nervo para o lado em um dos alvéolos artificiais enquanto terminamos a fresagem  e colocamos os implantes.

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Colocação de PRF (Plasma Rico em Fibrina) sobre o nervo alveolar, desta forma, a sensibilidade do nervo volta com maior rapidez.

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Preenchimento da cavidade com HA e PRF.

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Sutura feita com vicryl 4-0 e raio-x pós-cirúrgico.

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Sérgio Jorge Jayme

Doutorado em reabilitação oral pela Universidade de São Paulo; é mestre em Implantodontia; especialista em Prótese Dentária; pós-graduado em Periodontia e presidente da Academia Brasileira de Osseointegração.

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